México e Argentina se aliam por cadeira na ONU

Pacto dificulta pleito do Brasil a assento permanente no Conselho de Segurança

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2001 | 00h00

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, e o presidente do México, Felipe Calderón, firmaram pacto para que seus respectivos países ocupem a disputada cadeira rotativa no Conselho de Segurança da ONU nos próximos anos. Os dois combinaram que a Argentina apoiará a candidatura mexicana para o período 2009-2010 e o México apoiará a Argentina para 2013-2014. O acordo foi encarado pelos analistas como sinal direto ao Brasil, que prega a criação de uma cadeira permanente que requer para si. A aliança argentino-mexicana foi selada uma semana antes da visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará ao México.Tanto na Cidade do México como em Buenos Aires existe uma velha rivalidade com Brasília por essa cadeira. Ao longo da última década os vários governos mexicanos e argentinos sempre torpedearam a ambição do Brasil em conseguir a cadeira permanente. Kirchner e Calderón solidificaram nesta semana aliança que pretende impedir que o Brasil alcance esse sonho. Analistas portenhos indicaram que a visita de Kirchner a Calderón teve a intenção de reduzir o poder do Brasil na região, usando o México como contrapeso. Para Calderón, a aliança vem a calhar, já que há anos seu país tenta obter aliados na América do Sul para elevar sua influência. Nos últimos dois anos, a idéia de Kirchner era utilizar a Venezuela como contrapeso no Mercosul. Mas os recentes problemas causados pelo governo venezuelano com os sócios do bloco e a possibilidade de o país caribenho ficar fora do Mercosul (os Congressos no Brasil e no Paraguai ainda não aprovaram sua entrada) praticamente colocaram-no fora do jogo. Kirchner também voltou a convidar o México a integrar o Mercosul (o convite havia sido realizado pela primeira vez em julho de 2004). Calderón, no entanto, esfriou as expectativas, alegando que prefere acordos por meio da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).TENSÕES ANTIGASCom esta visita, Kirchner também tentou enterrar as tensões que ele próprio criou com o antecessor de Calderón, o ex-presidente Vicente Fox, por causa de diferenças sobre o CS da ONU em 2003. Depois, as rusgas continuaram quando Kirchner, anfitrião da Cúpula das Américas, realizada no balneário de Mar del Plata, acusou Fox de querer acelerar as negociações sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Na mesma cúpula, Kirchner deu tratamento vip ao venezuelano Hugo Chávez, que chamou Fox de "filhote" do império. De quebra, a visita - realizada no meio de uma miríade de declarações cordiais do presidente da Argentina - arquiva o apoio enfático que Kirchner havia dado a Andrés López Obrador, rival de Calderón nas eleições presidenciais.

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