Meu pai está sendo 'bode expiatório', diz Roseana sobre Senado

Filha de Sarney e governadora licenciada do MA diz que decisão de se afastar cabe ao pai e que vai apoiá-lo

Denise Madueño, de O Estado de S. Paulo,

01 de julho de 2009 | 11h45

A governadora licenciada do Maranhão, Roseana Sarney, e filha do presidente do Senado, José Sarney, afirmou nesta quarta-feira, 1º, que o pai está sendo "bode expiatório" dos problemas no Senado. Ela disse que a responsabilidade pelas irregularidades na Casa é de todos e que se inclui também na lista de responsáveis, porque foi senadora. "No Maranhão tem um ditado: dance quem dance, quem dá pulo é José. Ele (Sarney) está sendo responsabilizado por tudo", disse Roseana, ao deixar a residência da Presidência do Senado, para ir ao médico.

 

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Roseana disse que Sarney tem maturidade e experiência e que ela estará ao lado do pai em qualquer atitude que ele tomar sobre a permanência ou não na presidência do Senado. Perguntada sobre a possibilidade de Sarney deixar a presidência do Senado, respondeu: "Não vou falar sobre isso. Compete a ele (decidir). Ficaremos do lado dele".

 

Além de Roseana, alguns senadores se reuniram com Sarney na manhã desta terça: a líder do governo na Casa, Ideli Salvatti (PT-SC), o vice-líder, Gim Argelo(PTB-DF), o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL).

 

Na última terça, cresceu a pressão para o afastamento de Sarney do comando do Senado. O PSOL protocolou na Mesa Diretora uma representação contra e Renan. Logo depois, o DEM retirou seu apoio ao senador e fechou posição em favor de sua saída do cargo até que todas as denúncias contra ele sejam apuradas. Ao final da tarde, com as manifestações do PDT, do PSDB e de três peemedebistas, Sarney contabilizou 36 senadores (44% do total) contra a sua permanência no comando do Senado.

 

Sarney e seu neto, José Adriano Cordeiro Sarney, serão ouvidos no inquérito da Polícia Federal que apura denúncias de irregularidades na intermediação de empréstimos consignados a funcionários do Legislativo. Na condição de suspeito, Adriano será alvo de intimação, em data a ser definida nos próximos dias pelos investigadores. Sarney, mesmo não figurando no rol de suspeitos, será ouvido como testemunha e, como tem prerrogativa de função, poderá marcar local e data.

 

(Com Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo)

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