FABIO MOTTA / ESTADÃO
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‘Meu apego ao cargo é zero’, diz presidente do BB ao rebater Maia

Presidente da Câmara havia criticado Novaes por ter postado vídeo em defesa da reabertura do comércio no País

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2020 | 19h25

BRASÍLIA – O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, voltou a artilharia contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“O Rodrigo Maia deu uma declaração dizendo que digo o que digo para agradar ao Bolsonaro e me manter no cargo. Rodrigo não me conhece. Meu apego ao cargo é zero”, disse Novaes ao Estado. O presidente do BB vai além: “nossa diferença é que eu sou Fluminense e ele é Botafogo”.

Novaes e Maia começaram um embate público, ao longo do dia depois que o Estado revelou que o presidente do BB encaminhou na manhã desta quinta-feira, 2, via WhatsApp, a mensagem: “Caiam na real” acompanhada do vídeo postado pelo presidente Jair Bolsonaro com o apelo de uma apoiadora pela reabertura do comércio no País, em meio à pandemia da covid-19.

“Pode ter certeza que a senhora fala por milhões de pessoas”, respondeu o presidente à mulher, que o aguardava em frente ao Palácio da Alvorada, residência oficial, acompanhada dos dois filhos. Além da retomada dos serviços, ela também solicitou a presença do Exército nas ruas.

Ao ser questionado pela reportagem sobre o vídeo, o presidente do BB disse que “governadores e prefeitos impedem a atividade econômica e oferecem esmolas, com o dinheiro alheio, em troca”. “Esmolas atenuam o problema, mas não o resolvem. E pessoas querem viver de seu esforço próprio”, disse.

Segundo Novaes, depois que se monta um “grande Estado assistencialista” fica difícil desmontá-lo. “Crises instigam os piores instintos intervencionistas e estatizantes. Não podemos deixar que esta crise médica, por mais séria que seja, destrua as bases de nossa sociedade”, ressaltou.

As críticas de Novaes foram rebatidas por Maia logo em seguida.

O governo já divulgou que o auxílio emergencial dado a trabalhadores informais terá impacto de R$ 98 bilhões aos cofres públicos. O programa para a manutenção de empregos com carteira assinada durante a crise custará outros R$ 51,2 bilhões em compensações aos trabalhadores.

Desde a semana passada, quando convocou cadeia nacional de rádio e TV para defender o fim do “confinamento em massa”, Bolsonaro tem feito críticas a medidas adotadas por governadores e prefeitos para conter o avanço do novo coronavírus, como o fechamento de escolas, shoppings e lojas.

As restrições seguem orientações de organismos de saúde, como a Organização Mundial de Saúde, que aponta o isolamento social como o método mais eficaz de se evitar a propagação da doença, que já causou 37 mil mortes em todo o mundo e 241 no Brasil até ontem, 1º de abril.

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