''Metrô de periferia'' é meta de Marta

Cidade ideal apresentada na propaganda petista tem internet gratuita e policlínicas em todas as regiões

DANIEL BRAMATTI, O Estadao de S.Paulo

25 de outubro de 2008 | 00h00

A São Paulo idealizada que Marta Suplicy (PT) apresentou aos eleitores durante a campanha eleitoral prestará atendimento especializado de saúde em todas as suas 31 subprefeituras, oferecerá acesso gratuito e sem fio à internet e dará prioridade absoluta ao tráfego de ônibus em mais 228 quilômetros de ruas e avenidas.Na cidade virtual da propaganda petista, há um quarto projeto que dificilmente se concretizará no mundo real: a expansão do metrô com um trajeto "alternativo", que não combina com os mais recentes planos da companhia responsável pelas linhas.Também está nos sonhos da candidata a construção de mais 20 Centros Educacionais Unificados (CEUs). Obra-símbolo da gestão de Marta na prefeitura, entre 2001 e 2004, os CEUs são "escolões" dotados de infra-estrutura para atividades culturais e esportivas, instalados em regiões onde outros equipamentos públicos são escassos ou inexistentes.A construção de novos corredores de ônibus é um dos projetos mais caros do plano de governo petista: pode consumir até R$ 1,3 bilhão, segundo estimativas da própria campanha da candidata.Marta afirma que, em seu governo, a cidade ganhou cerca de 100 quilômetros de vias exclusivas para o transporte coletivo. Ela inclui na conta não apenas os novos corredores, mas também reformas em cerca de 35 quilômetros de vias que operavam em estado precário.Outro ponto central do programa para o setor dos transportes é o metrô. A candidata prometeu destinar R$ 490 milhões por ano para a ampliação do sistema, mas o mapa apresentado em sua propaganda não condiz com o que é levado em conta atualmente pelo governo do Estado - controlador da Companhia do Metropolitano de São Paulo, empresa que administra as linhas.O plano petista redesenha totalmente, por exemplo, a linha 6, que o governo estadual pretende construir entre as estações Freguesia do Ó e São Joaquim. Prioriza, em vez disso, a construção de um novo trajeto entre as zonas norte e sul, que, sem passar pelo centro da cidade, formaria uma rede com outras quatro linhas. Além disso, o "metrô de periferia" anunciado por Marta projeta a extensão de linhas existentes até bairros que hoje não são atendidos.Em plena campanha, no primeiro turno, a proposta foi bombardeada pelo governo estadual - iniciativa que petistas encararam como política, dado o apoio discreto do governador José Serra à reeleição de Gilberto Kassab.Uma nota da Companhia do Metropolitano qualificou a proposta de Marta como "rudimentar". A campanha petista contra-atacou: disse que o projeto se baseia em estudos técnicos da própria empresa, incluídos no Plano Integrado de Transportes Urbanos relativo a 2020. "Acredito no diálogo", explicou Marta. "Na época da minha gestão, a Linha Amarela só iria até o Morumbi. E a estação do Largo da Batata estava prevista para uma segunda etapa. Disse ao governo estadual que era preciso fazer a estação de Vila Sônia e antecipar a obra do Largo da Batata. E isso foi feito."Outro programa de Marta que os adversários procuraram desqualificar é o que prevê a instalação de milhares de pontos de acesso sem fio à internet. A propaganda petista deu a entender que quase toda a cidade seria benefiada, e que para acessar a rede os moradores teriam apenas de instalar uma placa em seus computadores.Mas há vários entraves técnicos. O plano de Marta não propõe, ao menos em um primeiro momento, a instalação de antenas de longo alcance, cujo sinal chega a abranger vários quarteirões. A idéia é simplesmente instalar roteadores sem fio em escolas e outros prédios públicos. Seria beneficiado apenas quem estivesse num raio de 300 a 500 metros - isso se na região não houver obstáculos que barrem a propagação do sinal.Na área da saúde, além da construção de três hospitais - em Parelheiros, Brasilândia e na região de Jaçanã e Tremembé -, a candidata do PT propôs a construção de 31 policlínicas, uma em cada subprefeitura da cidade. Essas unidades, segundo a petista, reuniriam médicos de 23 especialidades e seriam equipadas para fazer diagnóstico por imagem - radiografia e ressonância magnética.

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