Meteorologista prevê seca de 7 anos no Nordeste

O meteorologista Carlos Girardi fez hoje, em João Pessoa, no 1º Encontro Nacional de Consolidação das Previsões Climáticas no Nordeste uma previsão pessimista para o semi-árido nordestino: o período entre 2003 e 2010 será de seca.Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco serão os estados mais castigados porque estão localizados no polígono da seca, mas a partir de 2011 até 2030 será um período de chuva em abundância. Girardi também previu o período de seca no Nordeste entre 1979 e 1984, na qual morreram cerca de 500 mil pessoas.De acordo com as análises feitas pelo pesquisador paulista, que já trabalhou no Instituto de Atividades Espaciais do Centro Técnico Aeroespacial (IAE/CTA), em São José dos Campos a cada 13 anos a região enfrenta algum tipo de estiagem, mas a cada 26 anos a seca tende a ser mais rigorosa.As áreas mais afetadas serão o sertão e o cariri onde se registram em média uma precipitação pluviométrica entre 400/500mm por ano, mas haverá uma crescente diminuição de chuvas em torno de 30%.Na opinião menos pessimista do professor de pós-graduação em Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco(UFPB), José Oribe Rocha de Aragão, não haverá seca no Nordeste entre 2003 e 2010, mas salientou que é correto afirmar que haverá um contínuo decréscimo de chuvas na região. Para Oribe, o governo tem de se planejar para o pior, justamente a partir de 2010, porque vai ocorrer pelo menos três anos de seca, muito mais severa do que a de 1997/98.Um comitê coordenado pelo general de brigada do Exército, Marco Antonio Longo, vai elaborar um relatório e encaminhá-lo nesta sexta-feira ao chefe do Gabinete Militar da Presidência da República, general Alberto Cardoso, e aos governadores nordestinos para se prepararem para os efeitos da crise no futuro. O documento vai sugerir a transposição de rios, construção de açudes, de poços artesianos e incentivo à produção de energia eólica e solar para puxar água de poços.A convivência com a seca é possível, mas depende de grandes investimentos públicos na região, sustenta Girardi, lembrando que Israel transformou um deserto em um oásis. "Depende de vontade política do governo". Para ele, de alguma forma a elite nordestina se beneficia com a seca. Para ele, a escassez de água só vai piorar porque nos últimos 25 anos a população aumentou, enquanto diminuíram os reservatórios de água na região. "A situação é preocupante", disse.O nordestino terá de ser educado para aprender a conviver com a seca e, portanto, o governo terá de investir em educação ambiental. "O maior predador do semi-árido é o agricultor, que promove queimadas inadequadas", alertou Girardi, ao afirmar que as áreas de desertificação têm crescido no Nordeste, já atinge o Planalto Central e norte de Minas Gerais.

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