Metade dos menores não recebe salário

No Brasil, cerca de 7,7 milhões de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, trabalham. Metade deles tem menos de 15 anos e 25 mil, apenas 5. Eles atuam sobretudo em lavouras, carvoarias, olarias, pedreiras, mercado informal e atividades domésticas, na maior parte dos casos ajudando a família. Até os 14 anos, mais de 50% dessas crianças não recebe remuneração. Na faixa dos 17 anos, metade dos brasileiros trabalha, mas um de cada três deles não recebe por isso.O Nordeste concentra a maior parte dessas crianças, empregadas em atividades pesadas como corte da cana-de-açúcar e fábricas de sisal. Por todo o País, estima-se que haja 400 mil empregadas domésticas com menos de 16 anos. Em 1996, o governo federal criou o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), que concede um complemento de renda às famílias que retirem os filhos das atividades produtivas (sobretudo as mais insalubres) para colocá-los na escola. Iniciativas semelhantes foram adotadas por prefeituras e governos estaduais.Graças a programas desse tipo, entre 1982 e 1999, o índice de trabalho infantil caiu de 13,24% para 4,5%. Mas a melhora foi desigual. Segundo estudo do ano passado, o porcentual de adolescentes entre 10 e 15 anos que trabalham em Salvador é de 6,2%, enquanto em São Paulo é de 11,5%. Apesar da eficácia desses programas, em meados do ano passado, só 146 mil crianças recebiam esses auxílios federais.

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