Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Metade da bancada do PT apresenta manifesto e pede troca da direção da sigla

Parlamentares divulgaram documento, antecipado pelo 'Estado', com críticas à política econômica do segundo mandato do governo Dilma

Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 17h10

Brasília - Trinta e três deputados do PT assinaram um manifesto que, entre outros pontos, reconhece erros cometidos pela legenda, pede a revisão da política de alianças e a renovação da direção do partido. O documento foi apresentado nesta tarde em ato no Salão Verde da Câmara dos Deputados e é encabeçado por parlamentares da corrente interna Mensagem ao Partido, da qual fazem parte o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro. Apesar disso, o deputado Paulo Teixeira (SP) afirmou que também há signatários de outras cinco tendências: Articulação de Esquerda, Movimento PT, Militância PT, Construindo um Novo Brasil (CNB) e Esquerda Popular Socialista (EPS). 

A bancada do PT na Câmara conta com 63 integrantes.

"Reconhecemos que erros foram cometidos e precisamos corrigi-los", destacou Teixeira. "Precisamos mudar o PT para continuar mudando o Brasil", acrescentou Alessandro Molon (RJ). Os deputados pediram a convocação de um novo congresso em novembro, de caráter "constituinte", para a substituição da direção partidária. "O manifesto provoca. Ele sai dessa lógica de tendências e abre um processo consistente de oxigenação do partido", justificou Teixeira. 

O teor do manifesto "Mudar o PT para continuar mudando o Brasil", que será levado ao 5º Congresso do PT em Salvador, foi antecipado nesta quinta pelo Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Logo no início do texto, os petistas destacam que o partido passa pelo "momento mais difícil" da sua história. O manifesto defende realizações promovidas durante os governos do PT, argumentando que prioridades foram invertidas e que o papel do Estado foi ressignificado. "Nestes 12 anos (...), lideramos a maior transformação social já ocorrida no País", afirmam os deputados, na redação. Em seguida, no entanto, eles reconhecem que "nem tudo saiu como queríamos" e citam como exemplo "fatos graves" envolvendo a Petrobrás, numa referência aos escândalos de corrupção que atingiram a empresa e integrantes do PT. 

Segundo o documento, a sigla "abdicou do protagonismo na elaboração de propostas para o País". Ele alerta ainda para a "incapacidade" do PT de "interferir nos rumos" do governo. "Exemplos disto são as recentes decisões do governo no sentido de reorganizar a economia, reposicionando o modelo de desenvolvimento que permitiu resultados tão positivos, desde o início do governo Lula, e que tem gerado preocupação nos brasileiros", pontuam os parlamentares, numa crítica à política econômica do ministro da Fazenda Joaquim Levy. Para os signatários do documento, esse "reposicionamento adota políticas de caráter recessivo, com aumento de juros que provoca desaceleração econômica e desemprego."

Estrutura. O manifesto também critica o funcionamento interno do PT. "As eleições internas passaram a ser marcadas por vícios que sempre combatemos nas eleições gerais". "Somos permanentemente atacados por nossos adversários e suas armas mais eficazes contra nós são as contradições que se estabelecem nas práticas de alguns de nossos próprios integrantes", completam os petistas.

Além das mudanças no comando do PT, o manifesto pede a substituição do Processo de Eleição Direta (PED) como o modelo para a eleição dos dirigentes e a criação de um "sistema compartilhado de finanças" na legenda. Outro item advogado pelos petistas é o "combate sem trégua à corrupção", reforçando uma decisão do diretório nacional de expulsar filiados "comprovadamente envolvidos" em malfeitos. O documento afirma por último que é preciso intensificar a campanha por uma "efetiva reforma política" e reavaliar a política de alianças do PT para as eleições de 2016 e de 2018, "de forma a garantir identidade programática" e tendo como base "aliados históricos" do partido.

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