Elza Fiuza/Agência Brasil
Elza Fiuza/Agência Brasil

Meta é acabar com 'preconceito contra pobres', diz ministra

Após uma eleição em que ataques tomaram as redes sociais, titular do Desenvolvimento Social afirma que essa será sua prioridade

RAFAEL MORAES MOURA, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2015 | 02h02

BRASÍLIA - A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, disse ontem que a luta contra o preconceito contra os pobres será um desafio para a próxima gestão da presidente Dilma Rousseff. A declaração ocorre após a realização de uma campanha eleitoral em que os beneficiários de programas sociais se transformaram em alvo de ataques na redes sociais.

"Eu sempre digo uma frase que eu acho que tem que nortear também a nossa agenda no próximo período: 'Foi muito mais fácil acabar com a miséria do que acabar com o preconceito contra os pobres'. Essa certamente é uma agenda do próximo período. A luta contra o preconceito se mantém como um desafio na nossa próxima gestão", discursou Tereza, que já ocupava o cargo no primeiro mandato de Dilma, durante cerimônia realizada ontem em Brasília na qual foi reconduzida ao posto.

A solenidade foi prestigiada por representantes de movimentos sociais e por seis colegas de Esplanada. O auditório do Ministério do Planejamento, local do evento, ficou lotado e a ministra foi muito aplaudida.

"Somos exportadores de tecnologias sociais e, ao mesmo tempo, parte das nossas conquistas é completamente desconhecida da maioria dos brasileiros. O acesso à informação é o melhor remédio contra o preconceito", disse a ministra.

Comparações. Retomando o tom de discurso da campanha à reeleição da presidente, marcada pela comparação dos governos Lula e Dilma aos oito anos da gestão de Fernando Henrique Cardoso, Tereza destacou que "nunca se gastou tanto na assistência social" como hoje.

"Um ano de gasto da assistência social do governo da presidenta Dilma equivale a tudo que se gastou, somado, em termos reais, nos oito anos de governo do presidente Fernando Henrique Cardoso", comentou. "A cada dois meses do governo Dilma, se gasta em transferência de renda mais do que se gastou em todos os oito anos somados do governo do presidente FHC", completou a ministra.

No ano passado, Dilma anunciou reajuste de 10% no benefício do Bolsa Família, em pronunciamento veiculado em rede nacional de rádio e televisão no Dia do Trabalho, antes do início oficial da campanha eleitoral. O então candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, disse que ia manter e aprimorar o programa caso fosse eleito, prometendo inclusive bônus para os beneficiários que cumprissem determinassem requisitos, como fazer cursos de qualificação profissional. "Foi decisão política de colocar o orçamento a favor dos pobres, de colocar os pobres no centro da agenda", afirmou Tereza.

Números. Quando Dilma assumiu o governo em 2011, existiam cerca de 13 milhões famílias cadastradas no Bolsa Família, o principal programa de transferência de renda do governo. Hoje são quase 14 milhões.

O principal diferencial do primeiro mandato de Dilma, em relação ao seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, foi o programa Brasil Sem Miséria, lançado em junho de 2011. Ele surgiu após a constatação de que boa parte das famílias beneficiadas pelo Bolsa Família continuava abaixo da linha de extrema pobreza. Com o reforço da renda repassada a esses grupos, 22 milhões de pessoas conseguiram superar a extrema pobreza em pouco mais de três anos, segundo o livro O Brasil Sem Miséria, mencionada pela ministra na sua posse ontem.

No mesmo período, o valor médio do benefício repassado às famílias passou de R$ 94 para R$ 170. Entre as mais pobres, variou de R$ 107 para R$ 242.


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