Meta de reduzir pobreza pela metade fica para 2030

O mundo não conseguirá cumprir as metas de reduzir a pobreza pela metade até 2015, como havia sido planejado pela ONU há dois anos. Para lembrar o dia internacional de combate à pobreza, que é celebrado hoje, o Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, o brasileiros Sérgio Vieira de Mello, alerta que os dados sobre a situação atual do mundo já mostram que o objetivo somente será atingido em 2030.Apesar da visão tradicional apontar que a pobreza está ligada à renda, a ONU prefere incluir outros indicadores para medir a situação internacional. Um deles é o acesso aos alimentos. Segundo Vieira de Mello, oito milhões de pessoas morrem por ano por falta de alimentos, embora o mundo produza comida suficiente para alimentar o dobro da população da terra.O acesso à saúde e à educação também ainda está restrito e muitos não têm condições de higiene básica. "Os direitos à alimentação, à saúde e à educação devem ser a prioridade de todos", afirma o brasileiro. O problema, segundo muitos ativistas, é que os objetivos firmados pelos países em 2000 acabaram perdendo força e sendo substituídos por outros temas na agenda internacional.Um dos temas que acabou ganhando espaço na agenda foi o combate ao terrorismo. "Não podemos aceitar uma campanha contra o terrorismo se antes não houver uma campanha contra a pobreza", afirma o relator da ONU para o direito à alimentação, Jean Ziegler.Para Vieira de Mello, o combate à pobreza é um dos principais desafios dos direitos humanos nos próximos anos. Ele defende que os governos adotem estratégias para combater a pobreza em todos os níveis, desde o municipal até o federal. Outra sugestão do Alto Comissário é delegar à organizações não-governamentais e à própria população poderes para também elaborarem estratégias de combate aos problemas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.