Mestrinho renuncia ao Conselho de Ética; PMDB quer assumir

O PMDB vai retomar o comando do Conselho de Ética do Senado, que estava interinamente sob o comando do vice-presidente, senador Geraldo Althoff (PFL-SC). O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), informou que ainda hoje escolhe o substituto do senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), que renunciou hoje ao cargo de presidente do conselho e também anunciou o seu desligamento do órgão, alegando problemas de saúde.Na avaliação de senadores, tanto da base aliada quanto da oposição, essa iniciativa é uma reação do PMDB à tramitação da denúncia de corrupção contra o presidente licenciado do Senado, o peemedebista Jader Barbalho (PA), que está sendo investigado pelo conselho.Na terça-feira Geraldo Althoff decidiu que, depois de aprovada a denúncia contra Barbalho pelo Conselho de Ética, encaminharia imediatamente a matéria à Mesa do Senado para abertura de processo disciplinar contra o senador paraense, por quebra de decoro parlamentar.Nesse caso, Jader provavelmente se veria na contingência de renunciar ao mandato para não correr o risco de se tornar inelegível, a exemplo do que ocorreu no primeiro semestre do ano com os ex-senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF), envolvidos no escândalo da violação do painel de votação eletrônica do Senado.A insatisfação do PMDB com os trabalhos da comissão do Conselho ficou clara com a posição do senador Nabor Júnior (AC), integrante do Conselho, que alegou não ter condições de votar um parecer sem que os depoentes no processo de investigação fossem ouvidos abertamente por todos os membros do Conselho. "Como vamos julgar um parecer, se não temos conhecimento dos depoimentos?", indagou Júnior, que na noite de terça-feira se reuniu com Renan Calheiros para discutir uma nova estratégia diante do caso Barbalho.Calheiros disse que indicará para o lugar de Mestrinho um senador do PMDB "que tenha compromisso com o esclarecimento dos fatos". A bancada do PMDB quer ouvir Jader antes da apresentação do relatório da comissão de três senadores que o está investigando. Assim, poderá ter reassumido o cargo de presidente do Senado, uma vez que sua licença expira em 18 de setembro.

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