Mestrinho assume conselho se explicando

O novo presidente do Conselho de Ética, senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), eleito nesta quarta-feira sob forte polêmica, tomou posse explicando denúncias de corrupção que existem contra ele e avisando que não vai levar em conta as acusações ao presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). ?O conselho não tem nada a ver com o que ocorreu antes do mandato?, declarou Mestrinho, amigo há 18 anos de Jader, que poderá vir a ser investigado pelo conselho.?Está claro que o PMDB errou a mão neste episódio, e o resto da base também?, desabafou o senador Paulo Hartung (PPS-ES). ?Esta comissão deveria ser menos partidária e mais institucional?, observou ele, que assistiu às explicações de Mestrinho, em seu discurso de posse na presidência do Conselho de Ética, no qual o senador amazonense classificou como ?notícias infundadas? as denúncias de que se beneficiou de recursos da Sudam.Mestrinho também rejeitou as acusações de que foi cassado por corrupção pela revolução de 1964. ?Podem ficar tranqüilos, minha atuação será democrática?, disse e repetiu ele no discurso aos outros 15 integrantes do conselho de ética, também eleitos nesta quarta para um mandato de dois anos.?Reclamações de outros partidos sobre as indicações do PMDB são antidemocráticas?, reagiu o presidente do Senado. Muito irônico, Jader aproveitou para contestar as novas acusações de que remeteu dinheiro que teria desviado para Sudam para o exterior.?Essa conta, agora me lembro, foi aberta com Bill Clinton ou com aquele da Microsoft, o Bill Gates.? Em seguida, foi ainda mais sarcástico ao comentar as informações de que existiam contradições entre o que ele disse e o que afirmou o caseiro de José Osmar Borges ? o caseiro assegurou que Jader esteve com Borges, por três vezes, em Brasília.?Naquele encontro na casa do empresário (Osmar Borges) estava lá o James Bond e a Mulher Maravilha e nós todos jantamos juntos?, declarou, acentuando que, diante de ?tanta molecagem só tratando o assunto como piada?.Em uma clara demonstração de sua pouca disposição de investigar Jader, Mestrinho, ao ser indagado sobre a contradição, declarou. ?Precisa saber o que vale mais, a palavra de um caseiro ou do presidente do Senado.?Também houve polêmica em relação a outros nomes do PMDB escolhidos para o conselho. ?Indicação de presidente do conselho e seus membros é assunto da bancada e não só da liderança. Nós deveríamos ter sido consultados, pelo menos por gentileza e fui surpreendido com as nomeações?, desabafou o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que confessou que gostaria de fazer parte da comissão.?A indicação é prerrogativa do líder?, justificou Renan Calheiros (AL). A insatisfação de alguns membros do conselho com a indicação de Mestrinho foi traduzida nos votos secretos.Dos 14 presentes à sessão, o novo presidente obteve apenas nove votos a favor e cinco foram em branco. Como a oposição só possui três assentos no conselho, Mestrinho não foi apoiado por dois supostos aliados.O PMDB havia escolhido, além de Mestrinho, os senadores Nabor Júnior (AC), Carlos Bezerra (MT), Marluce Pinto (RR) e Gilvan Borges (AP).Diante das críticas de que todos eram muito ligados a Jader e provenientes da região do presidente do Senado, o líder do PMDB resolveu manter os três primeiros e substituir os demais por João Alberto (MA) ? que na reunião da semana passada propôs a moção de apoio a Jader ? e reconduzir Casildo Maldaner (SC).Dos cinco, apenas Casildo não é fiel seguidor de Jader. PSDB e PFL também indicaram nesta quarta seus nomes para o Conselho de Ética.No caso do PFL, integrarão o colégio pelos próximos dois anos os senadores Waldeck Ornéllas (BA), Moreira Mendes (RO), Bello Parga (MA) e Geraldo Althoff (SC), eleito vice-presidente, os nomes não são francamente favoráveis a Jader.Mas no PSDB, que nomeou Antero Paes de Barros (MS) e Ricardo Santos (ES), o senador paraense poderá encontrar acolhida na sua defesa.Também foi indicado o senador Leomar Quintanilha (PPB-TO). Pela oposição, além de Heloísa Helena fazem parte do conselho os senadores Jefferson Peres (PDT-AM) e Roberto Saturnino (PSB-RJ).O senador Romeu Tuma (PFL-SP), corregedor do Senado, também integra o conselho. Para dar continuidade às investigações contra Jader, que poderão chegar ao Conselho de Ética, Romeu Tuma ouvirá nesta quinta-feira no Senado o empresário Vicente de Paula Pedrosa, acusado de ter intermediado a venda de TDAs (Títulos da Dívida Agrária) para Jader, quando este era ministro da Reforma Agrária.

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