Mesmo se Lula for condenado, centro tem desafio eleitoral, diz cientista político

Em debate na TV Estadão, Rafael Cortez da Tendência Consultoria ressalta alta rejeição ao presidente Michel Temer e atraso nos partidos de centro-direita

Dayanne Sousa e Leticia Fucuchima, O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2018 | 15h40

Os índices de rejeição popular ao governo Temer representam um desafio para candidaturas de centro nas eleições presidenciais deste ano, na visão do cientista político da Tendências Consultoria, Rafael Cortez. Para ele, o centro ainda terá um desafio no pleito deste ano mesmo que se confirme a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no julgamento no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4).

"Mesmo num cenário da condenação de Lula, há fatores políticos", comentou. "Há uma rejeição muito alta do governo Temer e uma eleição é um grande plebiscito do governo em questão", acrescentou. "Se governo é bem avaliado, há tendência de continuidade e, quando há rejeição, se busca um nome de oposição", concluiu.

Cortez considerou que há um atraso dos partidos de centro-direita no momento, uma vez que há vários nomes sendo cogitados para uma candidatura: Rodrigo Maia, Henrique Meirelles, Geraldo Alckmin e até mesmo Luciano Huck. Apesar disso, Cortez considerou que há uma tendência ao longo da campanha de "emergir um nome um pouco mais significativo".

Sobre a possibilidade de as eleições deste ano se desenrolarem de forma semelhante às de 1989 (com alto número de candidatos e indefinição até o segundo turno), Cortez pontua que, naquela época, o País passava por um processo de redemocratização. Hoje, segundo ele, o contexto histórico é outro.

Por outro lado, o cientista político entende que podem sim surgir algumas similaridades às eleições de 1989, principalmente se a definição do próximo presidente ficar para o 2º turno. Ele pondera, porém, que ainda não um nome muito forte despontando, "com um ponto de partida minimamente razoável". "Esse nome vai ser construído ao longo da campanha".

Poder Judiciário. No debate na TV Estadão, os convidados discutiram ainda o papel do Judiciário em decisões importantes na história recente do País.

Ao lado de Cortez, o pesquisador da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) Luiz Felipe Panelli mostrou preocupação com a discussão em torno de uma possível revisão da possibilidade de prisão após a condenação em segunda instância. Para ele, mudanças na jurisprudência no curto prazo poderiam causar polarizações na esfera política. "Mudanças bruscas na jurisprudência em curto período de tempo são ruins. Se mudar (a decisão sobre prisão após segunda instância), vai parecer que está se favorecendo o ex-presidente Lula.

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