Mesmo com direito de ficar calado, Bumlai deve ser questionado por CPI sobre relação com Lula

Mesmo com direito de ficar calado, Bumlai deve ser questionado por CPI sobre relação com Lula

Para o comando do colegiado, o habeas corpus concedido pelo STF 'pôs por terra' a estratégia de pressionar o pecuarista a falar; mesmo assim, oposição deve pressioná-lo

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2015 | 12h22

BRASÍLIA - Preso preventivamente na Operação Lava Jato, o pecuarista José Carlos Bumlai vai comparecer na tarde desta terça-feira, 1, à CPI do BNDES na Câmara dos Deputados. Munido de habeas corpus concedido pelo ontem Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário deve permanecer calado durante depoimento. Mesmo assim, deve enfrentar questionamentos, sobretudo de parlamentares da oposição, principalmente sobre sua relação com o ex-presidente Lula, de quem é amigo. Bumlai chegou a Brasília por volta do meio-dia, pouco mais de duas horas antes da sessão da CPI, prevista para 14h30.

Na última sexta-feira, 27, a defesa do pecuarista pediu ao juiz Sérgio Moro dispensa do depoimento à CPI. Seus advogados alegavam que, como iria usar o direito constitucional de permanecer calado, a ida dele para Brasília apenas traria gastos aos cofres públicos, sem contribuir para os trabalhos do colegiado. A defesa teme que, mesmo calado, o empresário seja execrado pelos membros do colegiado. O magistrado, contudo, afirmou que somente o presidente da CPI, deputado Marcos Rotta (PMDB-AM) poderia dispensá-lo. O peemedebista, contudo, negou o pedido de dispensa e manteve o depoimento para hoje. 

A defesa, então, recorreu ao Supremo e, ontem, o ministro Marco Aurélio de Melo concedeu liminar garantindo a Bumlai o direito de permanecer calado durante o depoimento à CPI. A liminar também assegura ao pecuarista o direito de não assinar termo de compromisso de dizer a verdade, além de ser assistido por advogado durante a sessão. Para o comando do colegiado, o habeas corpus "pôs por terra" a estratégia de pressionar o empresário a falar, para evitar que ele fosse ainda mais atacado pelas perguntas dos membros da CPI. 

Em depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato, Bumlai afirmou ontem que não se recorda de ter recebido do operador de propinas do PMDB Fernando Baiano pedido para que ele intercedesse junto ao então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva “para a manutenção de Nestor Cerveró” na Diretoria de Internacional da Petrobrás. O pecuarista disse que "nunca" discutiu "aspectos da Operação Lava Jato" com o ex-presidente. O empresário ainda minimizou a relação de amizade com o petista, atribuindo à imprensa a alcunha que recebeu de "amigo do Lula". 

Acusações. Bumlai foi preso, preventivamente, na terça-feira, 24, na 21.ª fase da Operação Lava Jato. O pecuarista foi detido em um hotel em Brasília, horas antes da oitiva que prestaria à CPI do BNDES. Na ocasião, Moro pediu desculpas ao presidente da CPI do BNDES na Câmara pela coincidência e pôs o empresário à disposição da comissão. Ele é investigado, entre outras coisas, por ter contraído empréstimo de R$ 12 milhões com o Banco Schahin para pagar dívida de campanha de Lula e do PT. Também é investigado por ter contraído empréstimos de mais de R$ 500 milhões com o BNDES que não foram pagos.

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