Mesmo com clima de 'normalidade', greve faz carioca agir com cautela

Paralisação parcial de policiais civis, militares e bombeiros não prejudicou comércio e movimento nas ruas.

Júlia Dias Carneiro, BBC

10 de fevereiro de 2012 | 16h45

A decisão dos policiais civis, militares e bombeiros de entrar em greve no Rio de Janeiro levou os cariocas a adotarem uma postura cautelosa nesta sexta-feira, embora o comércio e o movimento nas ruas aparentemente não tenham sido prejudicados.

A notícia despertou temor em alguns, como a corretora de imóveis Rosemary Francionil da Silva, que disse estar com medo de sair na rua, mesmo morando ao lado da 10ª Delegacia Policial, no bairro de Botafogo.

"O bicho está solto, estou apavorada. Eu ia mostrar um apartamento hoje, mas cancelaram. As pessoas estão com medo de sair de casa", disse na portaria de seu prédio, enquanto policiais pregavam cartazes de greve na delegacia vizinha.

A delegacia estava operando com 30% do efetivo, atendendo flagrantes e casos de emergência.

Apesar do medo, Rosemary disse concordar com as reivindicações dos policiais. "É uma incoerência, mas acho que eles têm todo o direito de reivindicar, porque recebem muito pouco. O problema é que quem sofre é o povo."

A terapeuta Maria de Lourdes Diniz, moradora do mesmo bairro, estava indo a pé para o trabalho e afirmou que por enquanto não vê motivos para mudar sua rotina, embora torça para que a situação não se agravar como em Salvador.

"Estou preocupada com o Carnaval, que está próximo, e com a segurança das pessoas nas ruas", disse.

Precaução

Na zona sul do Rio, o movimento nas ruas era grande pela manhã e as lojas funcionavam normalmente. Mas o trânsito, normalmente pesado, fluía melhor do que o normal, indicando que algumas pessoas podem ter evitado sair por temer efeitos da greve.

"O trânsito hoje está mais vazio, nem parece sexta-feira. Acho que algumas pessoas resolveram cancelar seus compromissos e ficar em casa", disse o taxista Noir de Almeida.

Gerente de uma loja de vinhos em Copacabana, Quesontino Gosi disse que por enquanto não há motivos para preocupação. Ele abriu a loja normalmente e não cogitou reforçar a segurança. "Por enquanto, está tudo normal para todos os comerciantes da área", diz, destacando que havia visto diversos carros de polícia na rua.

Ainda assim, Gosi resolveu adotar uma cautela a mais: hoje, funcionários estão se alternando na porta de entrada para ficar de olho na rua. "Estamos atentos para qualquer anormalidade", justifica.

O motorista particular Wanderley Pereira Filho também considerou o dia "normal" e disse que não havia motivos para a população "entrar em desespero".

Mas antes de sair para o trabalho pela manhã, tomou precauções: ligou para a escola da filha para saber se haveria aulas, e para o 190 (serviço de emergência) para saber se a greve era para valer.

"Quis me certificar se estava tudo normal antes de sair de casa", justifica. "Mas me informaram que a polícia continuaria com 30% do contingente trabalhando e me tranquilizei."

Carnaval

O temor de que a greve possa afetar o Carnaval não havia chegado a Ivanete Vargas, que vendia perucas, plumas e outros enfeites em uma barraca de rua em Copacabana.

"Estou de acordo com essa greve. Enquanto os grandes ganham milhões, os pequenos ganham uma mixaria. Não é safadeza não, acho que eles estão certos, têm que fazer alguma coisa", opina.

Apesar de os servidores terem declarado greve na noite de quinta-feira, o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro informou nesta sexta que as unidades da corporação em todo o Estado estão funcionando normalmente, de acordo com a Agência Brasil.

Segundo a corporação, as saídas para atendimentos emergenciais estão preservadas, assim como a presença dos agentes nas unidades. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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