Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Governo diz que consegue barrar impeachment, mas base está pessimista

Governistas avaliam que nem a criação de um fato positivo conseguirá reverter o quadro, mas Planalto afirma ter 188 votos contra o afastamento de Dilma

Tânia Monteiro e Erich Decat, O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2016 | 20h05

A presidente Dilma Rousseff comandou, no Palácio do Planalto, na tarde desta quarta-feira, 13, mais uma reunião com ministros dos partidos da base aliada e líderes partidários que a apoiam. O quadro para o Planalto não é considerado dos mais favoráveis. Integrantes do governo e da bancada do PT avaliam que nem a criação de um fato positivo conseguirá reverter o quadro de afastamento da presidente, mas o Palácio, mesmo assim, continua mergulhado na contabilidade dos votos dos partidos no Congresso e em amplas negociações para tentar barrar o impeachment na Câmara dos DeputadosO número contabilizado, na tarde desta quarta, foi de 188 votos pró-Dilma. O ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, falou em “mais de 200”. 

Apesar de a decisão do PP de se afastar do governo e de o Ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, entregar o cargo, ter sido considerada “um baque, uma surpresa”, o governo diz que conta ainda com 9 dos 51 votos da legenda. Dilma chegou a falar com o presidente do PP e senador Ciro Nogueira e o ex-ministro Agnaldo Ribeiro na terça-feira, mas nem os esforços do Planalto, nem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram suficientes para segurar o partido para que não debandasse. Na conversa, os pepistas teriam falado sobre a pressão da bancada e das dificuldades de manter o apoio ao governo. Ressalvaram, no entanto, que o partido não está fechado à conversa. Ao menos 15 parlamentares do partido estavam no Planalto ainda agora à tarde.

O fato de o PSD ter adiado fechamento de questão foi motivo de comemoração para o governo. Isso daria mais tempo ao Planalto para atrair parlamentares para o seu lado. O ministro das Cidades, Gilberto Kassab, tem ido ao Planalto diariamente e, apesar de ter um ministério importante, o seu partido, o PSD, no momento, só está garantindo, oficialmente, 15 dos 31 votos do partido. Integrantes do governo estão acreditando que houve traição do ministro. A conta, no entanto, não bate com o que dizem parlamentares do partido que informam que o governo contará com no máximo sete votos.

Nesta quarta-feira, uma romaria de parlamentares continuou visitando o Planalto. Romaria semelhante ou até maior está sendo feita para reuniões com Lula. Da mesma forma, há romaria ao gabinete de Temer e ao Palácio do Jaburu. O ex-governador do Rio Anthony Garotinho, do PR, esteve nesta quarta no Palácio. O partido tem o cobiçado e polpudo em verbas Ministério dos Transportes. Neste momento, o PR garante 20 dos seus 40 deputados apoiando Dilma.

No fim da tarde, os ministros do PMDB estiveram reunidos com Berzoini fazendo contas e discutindo apoios. Os ministros da Saúde, da Ciência e Tecnologia e da Aviação Civil deixarão seus cargos até amanhã para retornar ao Congresso, garantir estes três votos e “ajudar no enfrentamento político”. Dilma se reuniu mais cedo com eles. Dos 65 deputados do PMDB, o governo acredita que vai contar com entre 20 e 25 deles na votação do fim de semana. Em outra frente, nas últimas semanas, Dilma tem falado quase que diariamente com o presidente do Senado, o peemedebista Renan Calheiros, que tem trabalhado também para ampliar a margem de votos pró-Dilma em seu partido, na Câmara.

A debandada do PRB já era esperada, desde quando o ministro do Esporte, George Hilton, deixou o cargo pressionado pelo partido. O governo conta com 6 dos 22 votos da bancada. 

Lideranças do PC do B, que também estiveram no Planalto pela manhã, prometeram entregar os 11 votos que têm na Câmara ao governo. Do PT, o governo espera contar com 60 votos; três deles de deputados que estão fora da Câmara e retornarão à Casa.

Pessimismo. Apesar de o governo se dedicar diuturnamente a fazer reuniões para avaliação e conversar com parlamentares e líderes políticos, parte da equipe da presidente Dilma Rousseff e lideranças do PT no Congresso já não veem como segurar o processo de impeachment na Câmara. A expectativa é de que apenas um fato negativo contra o vice-presidente, Michel Temer, e/ou contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), possa dar um novo folego ao governo. Cunha, aliado do vice, é o responsável pela abertura do processo de impeachment de Dilma e conduzirá a votação prevista para ocorrer no próximo domingo.

A entrevista concedida nesta quarta-feira, 13, por Dilma a um grupo de jornalistas em que ela afirma que, se perder na guerra contra o afastamento será "carta fora do baralho", também foi bastante criticada pelos corredores do Palácio e do Congresso.

Na avaliação de alguns assessores palacianos e petistas,  neste momento crítico o governo não poderia errar e Dilma demonstrou um "tom de exaustão" além de sinalizar que pretende lutar após um possível afastamento. Caso Michel Temer chegue ao comando do País, integrantes da cúpula do PT têm ressaltado, contudo, que o peemedebista também irá enfrentar um embate social e dentro do Congresso para se manter no cargo.

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