Cadu Gomes|EFE
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Mesmo com acordo, julgamento de Dilma pode ter sessões no fim de semana

Aliados de Michel Temer preferiam usar o fim de semana para correr com o processo; aliados de Dilma e o presidente do STF Ricardo Lewandowski eram contra

Isabela Bonfim e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2016 | 13h32

BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, e senadores fecharam um acordo nesta quarta-feira, 17, para não haver sessões do julgamento de impeachment de Dilma em fim de semana. Entretanto, com termos amplos, é possível que as sessões se arrastem pela madrugada e possam, sim, ser realizadas nos dias 27 e 28. O julgamento se iniciará no dia 25 e os primeiros dois dias serão dedicados a ouvir testemunhas. 

O acordo pareceu uma vitória para os senadores aliados de Dilma que, assim como Lewandowski, são contrários a sessões nos finais de semana. Os petistas, contudo, calculam que não será possível encerrar a fase de depoimentos na sexta-feira e que a cláusula do acordo que permite estender a sessão até que todas as testemunhas sejam ouvidas vai permitir que haja, de fato, sessões no final de semana.

"Não acreditamos que os depoimentos vão se encerrar até sexta-feira, acreditamos que a sessão vai entrar pela madrugada e tarde de sábado, chegando até o domingo", afirmou Lindbergh Farias (PT-RJ), lamentando o acordo fechado na reunião.

Lewandowski anunciou nesta quarta que trabalhará com os senadores no dia 26 até esgotar os depoimentos das testemunhas do processo de impeachment contra a presidente afastada, Dilma Rousseff.  O combinado é que a sessão do dia 26 se encerre apenas após o fim do interrogatório das oito testemunhas que participarão do julgamento, com a possibilidade de se estender pela madrugada do dia 27. "Trabalharemos na sexta-feira até esgotarmos os depoimentos das testemunhas", anunciou Lewandowski, após reunião no Senado.

Segundo os cálculos de Lindbergh, no entanto, se metade dos senadores questionarem uma testemunha, esse único interrogatório duraria oito horas. O petista afirmou que todos os 21 senadores que votaram contra o impeachment de Dilma concordaram em fazer perguntas a todas as testemunhas.

Depoimento. De acordo com os planos de Lewandowski, todas as testemunhas seriam ouvidas até sexta-feira e o julgamento seria retomado na segunda-feira, 29. Nessa data, é previsto o depoimento da presidente afastada Dilma Rousseff. A presidente terá 30 minutos para falar, que são prorrogáveis por tempo indeterminado.

Em seguida, ela também poderá responder aos questionamentos dos senadores. Os parlamentares terão até 5 minutos para fazer suas perguntas, mas a presidente tem tempo livre de resposta, para não cercear seu direito de defesa. Após o depoimento, haverá uma fase de pronunciamentos, em que todos os senadores poderão discursar, à semelhança do que foi feito nas sessões anteriores, que duraram mais do que 20 horas.

Segundo Lewandowski, não há prazo para o término do julgamento, que legalmente deve se estender enquanto for necessário. A base de Temer trabalha para que o julgamento se encerre ainda na segunda-feira, mas alguns senadores calculam que o processo pode se estender até quarta-feira, 31.

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