Mesmo após perder posto, Protógenes diz que não vai deixar PF

Na última 2ª, o delegado afastado do caso Dantas deixou a área de Inteligência, onde atuava havia mais de 5 anos

MARCELO AULER, Agencia Estado

25 de novembro de 2008 | 19h55

O delegado Protógenes Queiroz afirmou na noite desta terça-feira, 25, que continua confiante de que a direção geral da Polícia Federal irá realocá-lo no órgão operacional da instituição e que, por isso, não pretende deixar a polícia. Na última segunda, ele foi afastado dos quadros da Diretoria de Inteligência da Polícia Federal, onde atuava havia mais de 5 anos. Ao chegar para mais uma palestra sobre corrupção no país, na OAB de Niterói, ele disse que recebeu diversos convites de trabalho, entre eles do Ministério Público Federal e Estadual, do Congresso Nacional e até de órgãos que trabalham para a ONU, mas que sua pretensão é permanecer como policial federal na instituição. Veja também:Abin gastou R$ 800 mil na Satiagraha, diz agente à CPI Entenda o escândalo que derrubou a cúpula da Abin As fases da Operação Satiagraha: o que mudou e o que fica igual Gravação mostra clima tenso entre delegados da SatiagrahaPolícia Federal pretende pedir prisão de Dantas novamenteAs prisões de Daniel Dantas Os alvos da Operação Satiagraha   Segundo ele, toda a crise surgida na Operação Satiagraha está levando a sociedade e seus colegas, policiais federais, ao descrédito das instituições. "Cidadãos estão se manifestando com uma descrença total das instituições e isto é ruim para o Estado e a sociedade". Na Polícia Federal, ele disse que ninguém mais vai querer investigar crimes financeiros. "Ninguém quer estar nesta situação, há uma desmotivação total quanto a isso". Ele afirmou que houve uma "edição criminosa" da fita gravada numa reunião de que participou com os diretores da PF sobre a Operação Satiagraha. Protógenes está praticamente isolado na PF desde que, no auge da Satiagraha, acusou superiores de boicotarem a investigação. Daniel Lorenz, que o afastou da área de inteligência, era seu chefe. No início de março, Lorenz chamou Protógenes e o proibiu de usar "qualquer pessoa" da Agência Brasileira de Inteligência na operação. Inquérito da PF sobre vazamento da Satiagraha revela que Protógenes recrutou 84 agentes da Abin. Ele deverá ser indiciado por quebra de sigilo funcional e violação à Lei do Grampo.

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