Mesmo alvo de cassação, Argello inicia seu mandato de senador

Nesta quarta, ele exerce seu 1º dia, substituindo Roriz, que renunciou após acusações da Operação Aquarela

Rosa Costa, do Estadão

31 de julho de 2007 | 19h13

Alvo de dois pedidos de cassação do mandato, o suplente Gim Argello (PTB-DF) começa nesta quarta-feira, 1, a exercer o mandato de senador tendo de se defender de uma série de denúncias. A mais recente delas é a que o liga ao mesmo esquema de desvio de recursos do Banco Regional de Brasília (BRB) que obrigou o titular da vaga, o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz , a renunciar para não ser cassado.   Desmontada pela Polícia Civil do Distrito Federal na Operação Aquarela, o esquema consistia no saque ilegal de verbas públicas por organizações não-governamentais (ONGs) e instituições ligadas ao governo.O nome e a participação de Argello e Roriz no esquema constaria de gravações telefônicas autorizadas judicialmente.   Parte delas foram encaminhadas ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), pelo juiz da primeira Vara Criminal de Brasília, Roberval Belinati, encarregado do inquérito.   Argello disse ao Estado que não vai preparar uma estratégia de defesa "porque quem não deve não teme". "Eu sou inocente, não devo nada", alegou. O senador está na mira do Ministério Público desde 1999, quando teria começado, com a ajuda de servidores do governo e donos de postos de gasolina, um esquema para aprovar o uso de área públicas de Brasília pela iniciativa privada.   "Não tenho nenhum processo, não fui condenado em absolutamente nada". "Essas acusações me acompanham desde 2002, só que eu nunca fui julgado nem na primeira instância", acrescenta.   Negócio atípico   Roriz, Argello, e o dono da Gol, Nenê Constantino, figuraram em um negócio atípico, que rendeu a outro aliado do grupo, o ex-deputado Wigberto Tartuce, um lucro de R$ 21,9 milhões. Trata-se da venda de um terreno pertencente a fundos de pensão do governo do Distrito Federal.   O terreno foi vendido em maio deste ano, por R$ 37,1 milhões a uma incorporadora de Brasília. Um projeto de lei remetido pelo então governador Roriz à Câmara Distrital, em janeiro do ano passado, permitiu que Tartuce comprasse o terreno por R$ 15,2 milhões e, menos de um ano depois, o revendesse por mais do que o dobro do valor. Argello  intermediou uma fase do negócio. Gim Argello tomou posse na véspera do recesso que termina nesta quarta-feira.   Na ocasião, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), cobrou explicações das denúncias que pesam contra ele. No mesmo dia, o PSOL protocolou uma representação pedindo a cassação de seu mandato por quebra de decoro parlamentar. Menos de uma semana depois, foi a vez dos diretórios do DF de cinco partidos pedirem seu afastamento do cargo.   Apesar da ameaça de ficar pouco tempo no cargo, seu gabinete recebe os últimos reparos para abrigá-lo. A exemplo dos demais senadores, Gim Argello pode preencher 11 cobiçados cargos de confiança. As cinco vagas de assessores têm salário de R$ 9 mil. As outras seis, de secretários técnicos, têm remuneração de R$ 7,5 mil.

Tudo o que sabemos sobre:
SenadoGim ArgelloRoriz

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.