Mesa do Senado decide se abre processo contra Roriz

Ex-governador não conseguiu explicar o que fez com R$ 2,2 mi sacados no BRB

Agencia Estado

04 de julho de 2007 | 17h25

O senador e ex-governador Joaquim Roriz (PMDB-DF) vai enfrentar nesta quarta-feira, 4, um dia decisivo, porque a Mesa Diretora do Senado vai analisar o pedido de abertura de processo contra ele por quebra de decoro parlamentar, encaminhado pelo PSOL. Na representação, o partido solicita que o ex-governador seja investigado por não conseguir explicar cabalmente o que fez com R$ 2,2 milhões sacados em espécie no Banco de Brasília (BRB) com um cheque do empresário Nenê Constantino, dono da companhia aérea Gol.O parlamentar foi flagrado em escutas telefônicas, em março, conversando com o então presidente do BRB, Tarcísio Franklin, preso na Operação Aquarela, sobre a entrega e a partilha desse dinheiro.Na terça-feira à noite, Roriz e assessores ainda discutiam a possibilidade de ele renunciar ao mandato. O prazo para renúncia termina no momento que o Conselho de Ética abrir o processo - se abrir. O senador resistia à idéia porque ele não poderá concorrer a uma nova eleição convocada pelo TRE-DF, caso a renúncia seja tripla - dele e dos dois suplentes. Recentemente, julgando um caso de Goiás, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou que quem renuncia para fugir de um processo não pode disputar a eleição convocada para complementar o mandato. Portanto, Roriz ficaria inelegível se renunciasse.O Ministério Público do Distrito Federal vai remeter nos próximos dias à Procuradoria-Geral da República o resultado de mais sete escutas legais feitas pela Polícia Civil durante a Operação Aquarela, no Distrito Federal. EscutasUma das escutas que serão remetidas à procuradoria revela um diálogo entre Deodomiro Alves Silva, funcionário da incorporadora imobiliária Aldebaran, e um dos presos na Aquarela. Na conversa, quatro dias antes do saque, Silva diz: "Se a PF baixar aqui, agora, leva todo mundo. Tô eu, o Gim Argello (ex-deputado distrital e suplente do senador Roriz) e o Nenê."Pela proximidade de datas, há a possibilidade de que o primeiro diálogo também seja relacionado aos R$ 2,2 milhões. A procuradoria dispõe de dossiê com documentos e conversas.TerrenoRoriz, Argello e Constantino figuram em um negócio atípico, que rendeu a outro aliado do senador, o ex-deputado Wigberto Tartuce, um lucro de R$ 21,9 milhões. Trata-se da venda de um terreno pertencente a fundos de pensão do governo do Distrito Federal. O terreno foi vendido em maio deste ano, por R$ 37,1 milhões, à Aldebaran Investimentos Imobiliários S.A., ligada a uma grande incorporadora de Brasília, a Antares.Um projeto de lei remetido pelo então governador Roriz à Câmara Distrital, em janeiro do ano passado, permitiu que Tartuce comprasse o terreno por R$ 15,2 milhões e, menos de um ano depois, o revendesse por mais do que o dobro do valor.Segundo o advogado da Aldebaran, Marcelo Bessa, o suplente de Roriz, que é corretor de imóveis, se apresentou à Antares para intermediar o negócio com Tartuce e trabalhou nisso entre abril e maio deste ano. Na outra ponta, junto com a Aldebaran, estava Constantino, interessado em participar como sócio na compra do terreno.Bessa diz que, na fase final da negociação, Constantino se retirou "por razões comerciais". A incorporadora prosseguiu no negócio, mas sem a intermediação de Argello.Constantino também figura como avalista de uma nota promissória de R$ 10 milhões emitida em pagamento a Taruce. Até o momento, não se sabia da participação de Argello.

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