Mesa do Senado autoriza abertura do 3° processo contra Renan

Desta vez, presidente do Senado será investigado por uso de laranjas na compra de meios de comunicação

16 de agosto de 2007 | 12h25

A Mesa do Senado decidiu, nesta quinta-feira, 16, por unanimidade dos sete senadores presentes, encaminhar ao Conselho de Ética a terceira representação contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Nesse caso, Renan é acusado de ter registrado em nome de "laranjas" (falsos proprietários) de duas emissoras de rádio e um jornal. Veja também:Cronologia do caso Renan    Veja especial sobre o caso Renan  Em carta, Lyra se defende e ataca caráter de Renan De acordo com o segundo vice-presidente da Mesa, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o que os senadores fizeram foi dar encaminhamento a "uma formalidade", para que o processo corra o mais rápido possível: "Porque temos que acabar logo com essa novela." Renan também já é investigado pelo Conselho de Ética por receber dinheiro de lobista e por suposto favorecimento da cervejaria Schincariol. Na primeira representação, o senador responde por suspeita de ter contas pessoais pagas por Cláudio Gontijo, lobista da construtora Mendes Júnior. Gontijo pagaria pensão a jornalista Mônica Veloso, com quem Renan tem uma filha fora do casamento.  O senador é acusado ainda de apresentar notas frias para comprovar renda - ele alega que atividades agropecuárias lhe renderam R$ 1,9 milhão em quatro anos. A Polícia Federal está fazendo a perícia nos documentos e entregará o laudo final na segunda-feira, 20. Na segunda representação, acatada na semana passada, Renan é acusado de interferir no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e na Receita Federal para beneficiar a Schincariol. A empresa teria comprado uma fábrica do clã Calheiros em Alagoas com sobrepreço de mais de 500%. Após muita procura, o presidente do Conselho, senador Leomar Quintanilha (PMDB), anunciou na quarta-feira, 15, a escolha do petista João Pedro (PT) para ser o relator deste processo.  Laranjas Em carta aberta distribuída aos órgãos de imprensa, o usineiro e ex-deputado João Lyra se defende das acusações feitas contra ele por seu ex-sócio e presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), cobra-lhe explicações à Nação e o chama de "hipócrita", "bajulador", de má-formação de caráter e de lhe fazer "calúnias". O senador afirmou que Lyra é acusado de "vários homicídios, inclusive crimes de mando".  Em recente entrevista, Lyra disse que foi parceiro de Renan e afirmou que o presidente do Senado pagou sua parte em dólares e dinheiro vivo, num investimento de R$1,3 milhão. Renan nega e propôs que Lyra abra seu sigilo bancário e fiscal, a exemplo do que fez, ao pedir ao Ministério Público para investigá-lo.  O corregedor-geral do Senado, senador Romeu Tuma (DEM-SP), irá nesta tarde a Alagoas para tomar o depoimento de João Lyra sobre a sociedade em empresas de comunicação que o ex-parlamentar afirma que manteve com Renan, em nome de "laranjas" (falsos proprietários). Sua conversa com Tuma será acompanhada por escrivães da Polícia Federal, para que assuma caráter de depoimento.   Parecer Álvaro Dias afirmou que é inconsistente o parecer emitido nesta quinta, pelo advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, que afirma que os senadores do DEM e do PSDB não poderiam participar da decisão da Mesa porque esses partidos são os autores da representação. "Não vejo consistência nessa tese. Fomos eleitos pela Casa com a representatividade e, portanto, quando deliberamos, representamos a instituição (Senado), e não os nossos partidos", declarou Dias. Alberto Cascais é integrante do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) por indicação de Renan. É a segunda vez que um parecer emitido por ele é ignorado pela Mesa Diretora.

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