Mesa decide não investigar Argello

Com o voto de desempate do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a Mesa Diretora da Casa decidiu ontem pelo arquivamento da representação do PSOL contra o senador Gim Argello (PTB-DF), acusado de participação em esquemas de desvios de dinheiro público e de grilagem de terras no Distrito Federal. Por três votos a dois e duas abstenções, os integrantes da Mesa entenderam que o arquivamento se justificava por ser Argello acusado de incorrer em delitos antes de ter assumido o mandato. Com o voto favorável a Argello, Renan garante também um ponto a seu favor, quando for julgado no processo por quebra de decoro.Argello assumiu há pouco mais de um mês no Senado a vaga de Joaquim Roriz (PMDB-DF), também acusado de envolvimento no esquema de desvio de recursos do Banco de Brasília (BRB). Roriz renunciou para escapar de possível cassação por quebra de decoro. Além de Renan, votaram pelo arquivamento da representação os senadores Papaleo Paes (PSDB-AP) e Efraim Moraes (DEM-PB). Os senadores Tião Viana (PT-AC) e Alvaro Dias (PSDB-PR) defenderam o encaminhamento da representação ao Conselho de Ética. Magno Malta (PR-ES) e César Borges (DEM-BA) se abstiveram.REAÇÃOAntes da reunião da Mesa o senador dava como certo o envio da representação ao conselho. "Acho que será encaminhada. Eles não vão entrar no mérito e a Mesa vai deixar o conselho analisar", afirmou Argello, que já preparava a defesa. Seu advogado, Maurício Corrêa, afirmou à tarde que se a Mesa enviasse a representação ao conselho entraria com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal. "Do ponto de vista jurídico não tem nada contra ele", disse Corrêa.Após a decisão, Argello disse, por meio da assessoria de imprensa, estar "agradecido". "Sempre estive certo da minha inocência e sempre confiei no bom senso e justiça do Senado. Agora, vamos trabalhar pelo Brasil e pelo Distrito Federal", afirmou Argello, aliviado.

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