Mesa decide hoje 6º processo

Acusação é de ter beneficiado empresa fantasma

O Estadao de S.Paulo

23 Outubro 2007 | 00h00

A Mesa Diretora do Senado deve autorizar hoje o Conselho de Ética a abrir a sexta investigação contra Renan Calheiros (PMDB-AL). Nela, como revelou o Estado, Renan é acusado de usar o cargo para destinar recursos à empresa fantasma de um ex-assessor. A representação, protocolada pelo PSOL, ainda o acusa de exploração de prestígio, tráfico de influência, intermediação de interesses privados, corrupção ativa e passiva e formação de quadrilha.Na mesma reunião, a Mesa analisará a ação em que o PSOL pede investigação de Eduardo Azeredo (PSDB-MG) por participação no mensalão mineiro. A Mesa deve arquivar a representação, por avaliar que ela se refere à campanha de 1998, quando o tucano concorria ao governo de Minas e não era senador.Presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC) pediu ontem que se evite um "julgamento precoce", ao falar dos boatos de que estaria disposto a arquivar as representações. "O julgamento precoce está um vício. O mais importante eu cumpri: recebi as representações e convoquei a Mesa para amanhã (hoje) tomar uma decisão que seja soberana e à altura da responsabilidade política da instituição."TEMPOEle não quis antecipar sua posição, mas deu a entender que pode "segurar" a nova ação. "Uma prática em alguns tribunais para processos que tratam da mesma matéria é sobrestar um até que os outros sejam julgados. Isso não afeta a integridade e as prerrogativas de quem denuncia ou é denunciado e o julgamento não atrasa", disse."O caso pode ser encaminhado na hora oportuna ao conselho. Se evitaria mais um aglomerado de denúncia", alegou. "Renan tem quatro processos em julgamento. Esse sexto pode perfeitamente aguardar até um terceiro ser feito."Segundo vice-presidente da Mesa, Álvaro Dias (PSDB-PR), é a favor de abrir apuração contra Renan. Para ele, o caso revelado pelo Estado é "a denúncia mais grave e a mais fácil de ser investigada", pois não há necessidade de testemunhas, basta checar se existiu emenda para liberar verbas para o ex-assessor.Renan já foi absolvido da acusação de ter despesas pagas por um lobista, entre elas pensão para a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha. Nas outras quatro representações é suspeito de atuar em favor da Schincariol em órgãos federais, de ser sócio oculto de duas rádios em Alagoas, de comandar esquema de arrecadação em ministérios do PMDB e de determinar a espionagem de oponentes no Senado.

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