Mercosul faz acordo contra corrupção nas fronteiras

Os países integrantes do Mercosul ?Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai ? assinaram um acordo para o combate à corrupção de agentes públicos na fronteira. A partir do próximo ano, a pessoa que for extorquida ou sofrer ameaças poderá denunciar o ato a qualquer autoridade dos quatro países, pois a investigação será conjunta. ?Se um brasileiro for achacado por autoridade paraguaia, ou vice-versa, terá sua denúncia encaminhada ao país de origem da pessoa, mas os dois lados irão apurar o caso?, diz o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira. A idéia do acordo de cooperação partiu do próprio ministro Aloysio Nunes, durante a reunião com outros ministros de Justiça e Interior do Cone Sul, Chile e Bolívia, em Montevidéu. ?É uma forma de acabar com a corrupção envolvendo agentes públicos, principalmente na fronteira?, ressalta Aloysio Nunes, acrescentando que o mecanismo adotado pelos países ajudará a diminuir também o crime organizado, principalmente tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.O acordo para o combate à corrupção de agentes públicos na fronteira poderá vigorar já no primeiro semestre do próximo ano, depois de regulamentação por um grupo de trabalho composto de integrantes das quatro nações. ?É um mecanismo que, além de tudo, vai inibir a corrupção?, afirma o chefe do departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça do Brasil, Luiz Paulo Barreto. Segundo ele, os países do Cone Sul não têm levantamentos sobre a corrupção na região. Nos últimos anos, investigações de autoridades brasileiras confirmaram que funcionários públicos são normalmente envolvidos em corrupção, principalmente, na Tríplice Fronteira. Este ano, por exemplo, a Polícia Federal descobriu que alguns de seus agentes e até delegados estavam ajudando no contrabando de carros e equipamentos eletrônicos, na região do Rio Grande do Sul. Todos foram presos em flagrante. Mas o acordo vai ajudar, principalmente, cidadãos comuns que muitas vezes são achacados na região de fronteira, a maioria sacoleiros que fazem compras em Ciudad del Este, no Paraguai, e Puerto Iguazú, na Argentina. Porém, muitos se inibem e não denunciam o fato às autoridades. ?Isso será possível e a investigação será isenta, pois terá a participação de todos?, afirma Barreto.

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