Mercados perderam um pouco da confiança em Lula, diz Economist

A revista The Economist, em uma reportagem intitulada ?Duvidando de Lula?, afirma em sua edição desta semana que os ?mercados financeiros perderam um pouco de sua confiança no presidente brasileiro?. Segundo a revista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu uma das mais agradáveis surpresas para os investidores estrangeiros no ano passado. ?Logo após tomar posse, o presidente e seu hábil ministro da Fazenda, Antônio Palocci, convenceram os mercados que eles eram, na verdade, homens sóbrios determinados a pagar a dívida do Brasil, reduzir seu peso na economia e conquistar para o país uma classificação de risco de grau de investimento?, disse a Economist. Isso fez com que os spreads dos títulos do país sofressem uma aguda queda no ano passado. Mas agora o risco Brasil vem subindo. A Economist observa que o Brasil, em parte, está sofrendo com o temor de que o Federal Reserve dos Estados Unidos vai elevar os juros para combater a inflação, afastando os capitais dos mercados emergentes de maior risco. O índice para bônus dos emergentes do banco JP Morgan Chase?s, EMBI +, caiu 3,3% entre meados de janeiro e meados de abril. Mas a revista lembra que o componente brasileiro, que tem um peso de 22,7% no índice, caiu mais de 10%. Segundo a revista, não surpreende o fato de o país de maior peso ser o mais afetado, mais algo mais está ocorrendo com o Brasil. Promessa de emprego e crescimento soa vazia A revista Economist afirma que o problema no governo Lula é que suas políticas ?são menos populares com os brasileiros do que com os corretores de bônus?. A revista lembrou que a equipe econômica elevou a meta de superávit primário de 3,75% para 4,25% do PIB, ?de fato escolhendo gastar mais no serviço da dívida e menos em estradas, escolas e salários?. Ao mesmo tempo, o Banco Central elevou as taxas de juros, que já eram altas, para conter um repique inflacionário. ?Seu governo ganhou credibilidade, mas a economia encolheu em 2003 e suas promessas de empregos e justiça econômica começaram a parecer vazias?, disse a Economist.A revista questiona se as políticas econômicas ortodoxas do país podem lidar com o atual estresse. ?Muito depende de como a economia de comportar entre agora e as eleições municipais em outubro?, disse. A maioria dos analistas prevê um crescimento entre 3% e 4% em 2004 mas, segundo a Economist, ?isso não parece tão bom como parece?. As exportações estão se avolumando e as vendas de produtos como carros foram auxiliadas pelos cortes de juros desde meados do ano passado. ?Mas isso tem ainda de dar sustentação para a renda ou emprego, e a economia tem parecido abatida no início de 2004.?

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