Mercado de trabalho discrimina negro, diz o Dieese

Nesta terça-feira, quando se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulga resultado de estudo sobre a situação dos negros no mercado de trabalho no Brasil, confirmando que o desemprego nesta parcela da população é bem maior do que entre os não-negros (brancos e amarelos, pela classificação do IBGE) em seis Regiões Metropolitanas, sendo 16% superior no caso dos trabalhadores analfabetos.O estudo, baseado na Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) realizada mensalmente pela entidade, refere-se à média de janeiro a junho deste ano.Entre as regiões pesquisadas, Salvador possui a maior taxa de desemprego entre os negros, de 28,4%. Entre os não-negros a taxa é de 18,9%. Em Recife, que tem alta concentração de população negra, as taxas são altas para negros (22,1%) e não-negros (19,8%).Mas em todas as regiões a participação dos negros na força de trabalho é maior do que a dos não-negros, o que, salienta o Dieese, não garante igualdade e inserção.A Região onde a participação dos negros é maior é o Distrito Federal, de 64,1% na força de trabalho. Em relação ao sexo, homens em geral são a maior parcela no mercado.Em São Paulo e no Distrito Federal, a taxa de participação dos homens negros superou 70% no período analisado. O Dieese afirma que a situação das mulheres negras é mais difícil do que a das não-negras, pois em todas as regiões a taxa de desemprego daquelas é maior. Em Salvador, chega a 31,2%.A pesquisa também revela que os rendimentos dos trabalhadores negros são menores em todas as seis regiões. Segundo a entidade, a cor representa um fator de discriminação no mercado de trabalho mais forte do que o sexo, uma vez que os homens negros possuem rendimentos "sistematicamente menores" do que as mulheres não-negras.Em todas as regiões analisadas, a parcela de negros em cargos de direção e planejamento é menor do que 12% do total. O Dieese aponta ainda que a discriminação contra negros é maior em Salvador do que em São Paulo, no que se refere aos rendimentos, embora a capital baiana tenha número maior de negros.

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