Mercadante volta a se explicar sobre Delcídio

Nota de esclarecimento diz que o ministro da Educação 'tomou uma iniciativa de caráter eminentemente pessoal e política de solidariedade, especialmente em relação à família do senador Delcídio, que foi alvo de uma ampla exposição na internet'

Adriano Ceolin e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2016 | 19h14

Brasília - Pela segunda vez nesta terça-feira, 15, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, tentou esclarecer a gravação em que ele prometeu ajuda ao senador Delcídio Amaral (PT-MS) quando o ex-líder do governo no Senado estava preso pela Operação Lava Jato. O episódio veio à tona com a divulgação da íntegra da delação premiada de Delcídio nesta terça-feira, 15.

Mercadante divulgou uma "nota de esclarecimento" uma hora após a presidente Dilma Rousseff posicionar-se - também por meio de nota - sobre o episódio. Ela negou ter dado qualquer orientação para o ministro falar em seu nome sobre Delcídio.

Na nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência, Dilma "repudia com veemência e indignação a tentativa de envolvimento do seu nome na iniciativa pessoal do ministro Aloizio Mercadante".

Na nova nota de Mercadante, ele faz coro com Dilma e diz que "tomou uma iniciativa de caráter eminentemente pessoal e política de solidariedade, especialmente em relação à família do senador Delcídio, que foi alvo de uma ampla exposição na internet".

Mais cedo, ele já havia concedido uma entrevista coletiva em que ressaltou ter agido de forma "legal" e em "solidariedade" ao senador. Na gravação, Mercadante conversa com um assessor de Delcídio sobre como ajudar no caso.

A gravação foi divulgada por reportagem da revista Veja. São duas conversas entre o ministro e José Eduardo Marzagão, assessor de Delcídio no Senado. O material foi entregue ao Ministério Público Federal, que avaliará se o ministro tentou evitar que Delcídio fizesse "delação premiada".

Em depoimento, o senador dá sua versão sobre o episódio: "A mensagem de Aloizio Mercadante, a bem da verdade, era no sentido do depoente não procurar o Ministério Público Federal para, assim, ser viabilizado o aprofundamento das investigações da Lava Jato".

Veja a nova nota de Mercadante:

Nota de Esclarecimento

1) Em relação à matéria veiculada pela revista Veja, em 15/03/2016, o Ministro Aloizio Mercadante esclarece que:

a) Tomou uma iniciativa de caráter eminentemente pessoal e política de solidariedade, especialmente em relação à família do senador Delcídio, que foi alvo de uma ampla exposição na internet, após a sua prisão;

b) Jamais tentou impedir a delação do senador Delcídio do Amaral;

c) Deixou claro que não se envolveria na defesa dele no processo judicial;

d) Defendeu que qualquer procedimento de defesa se desse com legalidade, transparência e consistência;

e) Jamais intercedeu junto a qualquer autoridade do Poder Judiciário, Ministério Público ou Senado Federal pelo senador Delcidio do Amaral;

f) A menção às autoridades foi no contexto, a partir de sua experiência como ex-senador, da defesa construir uma tese que ensejasse uma nova manifestação do Senado;

2) O ministro Aloizio Mercadante repudia com veemência a tentativa do senador Delcidio do Amaral e de seu assessor, Eduardo Marzagão, de transformar um gesto de solidariedade, em momento de grande dificuldade pessoal, em elemento jurídico em busca de um benefício judicial, razão pela qual adotará todas as medidas judiciais cabíveis em face de ambos.

3) Por fim, o ministro já se colocou imediatamente à disposição da PGR, do STF e do Congresso Nacional para prestar todos os esclarecimentos necessários.

4) A fim de ser reestabelecida a verdade ressaltamos alguns trechos transcritos do áudio e outros omitidos na transcrição da reportagem da revista Veja:

a) Não houve qualquer tentativa de impedir a delação do senador: "tem que construir uma saída para ele sair de lá. Uma saída viável. Se ele tá ameaçando a delação... mesmo que ele queira fazer. Eu não vou entrar nisso. A decisão é dele. É um direito dele, ele faz o que achar que deve." (Trecho omitido)

b) "Mas é o seguinte, eu não tenho nada a ver... o Delcídio... zero... não tô nem aí se vai delatar, não vai delatar, não tô nem aí..." (Trecho publicado)

c) Defesa do processo dentro da legalidade: "só dar pra fazer coisa na legalidade, com transparência, com consistência, porque senão não vai prosperar... (Trecho omitido)

d) Não houve interferência na defesa do senador: "Eu não vou me meter na defesa dele. Não sou advogado, não tenho o que fazer, não sei do que se trata, não conheço o que foi feito." (Trecho publicado)

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