Mercadante vê 'margem' do governo para estimular crescimento econômico

Ministro da Casa Civil saiu em defesa de política econômica e reafirmou necessidade de Congresso flexibilizar meta de superávit primário

Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2014 | 17h55

 Brasília - O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante afirmou nesta tarde que o governo federal tem "margem com responsabilidade" para estimular o crescimento do País nos próximos anos. Ao defender a importância da mudança da meta de superávit primário, Mercadante, destacou que o governo reduziu a dívida pública de 60% para 35% do Produto Interno Bruto (PIB). "Fomos desendividando o Estado brasileiro. Temos margem com responsabilidade para poder fazer essa política de estímulo ao crescimento", disse o ministro em entrevista no Palácio do Planalto, depois de participar de cerimônia de homenagem aos servidores.

Mercadante reafirmou a importância, ainda neste ano, de o Congresso ajudar o governo e flexibilizar a meta de superávit primário. "Não vejo outro caminho." O ministro frisou, novamente, descartar a hipótese de que "o Congresso brasileiro cometa o erro do Congresso norte-americano, que não permitiu a rolagem da dívida e o governo dos Estados Unidos, naquela época, suspendeu pagamento dos salários dos servidores". Para Mercadante, há maturidade no Congresso, compreensão em relação ao tema.

"O Brasil foi um dos países que teve um dos melhores desempenhos nas contas públicas ao longo de toda essa trajetória da crise, um dos países que mais gerou emprego, nós fizemos uma opção clara: a prioridade do governo é proteger a indústria para manter o emprego, os salários, a renda da população. É muito importante manter o emprego e a renda da população. É uma opção clara do governo, e acho que haverá maioria, seguramente (o Congresso) vai aprovar", disse Mercadante sobre a mudança da meta de superávit primário. "A prioridade é proteger indústria para manter emprego, salários, renda da população".

O ministro-chefe da Casa Civil alertou que, sem mudar a meta de superávit primário, única alternativa será suspender todas as desonerações de impostos, aumentar impostos para o setor produtivo. "Acho que ninguém deseja e cortar drasticamente gastos, investimentos, gastos sociais, o que vai trazer recessão e desemprego.

Crescimento baixo. Na entrevista, entretanto, Mercadante ressaltou que é preciso "ter muita atenção à questão fiscal". Segundo ele, o País precisa manter a responsabilidade e o rigor fiscal. O ministro admitiu que, no atual cenário, o crescimento do Brasil é baixo. "Mas é crescimento que mantém excelente níveis em relação ao emprego e à renda. PIB, para o povo, é emprego e renda", declarou.

Mercadante, disse, ainda, que a presidente vai apresentar a nova equipe "no momento oportuno". Afirmou, ainda, que Dilma "está trabalhando para fazer a melhor escolha possível".

Planalto. O ministro evitou responder se a alteração de indexador de dívida de Estados e municípios estaria contrariando o discurso de austeridade do governo federal, gerando insatisfação do Palácio do Planalto em relação ao tema. "Sobre isso, é a Presidente que vai se pronunciar", desconversou o ministro.

Sobre a nova composição do Congresso, a partir do ano que vem, Mercadante mostrou-se otimista. "Temos maioria no Congresso e acho que teremos clima favorável à agenda positiva. Lembrou que Dilma tem feito reunião com todos os partidos da base. "Ela fez encontro ontem com o PSD. Vai fazer com o PT hoje e fará com todas as bancadas, saudando a nossa vitória, preparando a retomada do novo ano legislativo", disse o ministro-chefe da Casa Civil.

Em relação ao atual momento político e de relacionamento do Palácio com os parlamentares, Mercadante disse que o governo está comemorando ainda a vitória nas eleições. "Estamos comemorando, celebrando uma vitória que foi muito importante e o reconhecimento desse trabalho de quatro anos." Disse que, daqui para diante, é tempo de mais mudanças, de corrigir o que está errado. "O Congresso Nacional é fundamental para poder aprovar projetos", destacou. "Temos maioria nas duas Casas e acho que vamos ter um clima bastante favorável a uma agenda positiva para o Brasil".


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