Mercadante rebate críticas de Aécio ao governo Dilma

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, saiu em defesa da presidente Dilma Rousseff, na tarde desta quinta-feira, e rebateu as críticas do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que acusou o governo federal de seguir a "lógica da reeleição" ao criar ministérios e reacomodar aliados visando a sucessão presidencial de 2014. Após palestra no 57º Congresso Estadual de Municípios, realizado em Santos, Mercadante disse que Dilma conta com "imenso apoio popular" e que não é possível governar sem uma ampla coalizão. "A gente não governa o Brasil sem alianças, sem coalizão", justificou o ministro.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

04 Abril 2013 | 18h50

Baseado nas últimas pesquisas de intenção de voto que apontam a liderança isolada da presidente no processo sucessório, Mercadante admitiu que existe um esforço para a reeleição da presidente. "Nós queremos a reeleição da presidente Dilma. Nós e o povo brasileiro. Parece que todas as pesquisas mostram que os brasileiros querem sua reeleição e vamos trabalhar para isso", disse.

Mais cedo, no mesmo evento, o senador tucano condenou a reabilitação do PR no Ministério dos Transportes e disse que a "faxina de Dilma" era um "discurso sem consistência". Para Mercadante, o PR nunca deixou a base do governo desde 2002, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o governo. O petista argumentou que o novo ministro Cesar Borges é um engenheiro competente que foi colega de Aécio Neves e que ambos militaram nas mesmas causas.

Ditadura

Mercadante também comentou a expressão que o senador mineiro utilizou para denominar o golpe de 64, chamando o episódio de revolução. O ministro disse que faz parte de uma geração que conviveu com censura, tortura, exílio e assassinatos e que neste momento o País luta através da criação da Comissão da Verdade para mostrar aos que não tem essa memória o que realmente aconteceu. "Tenho a profunda convicção de que vivemos uma ditadura militar", afirmou.

Nesta quarta-feira (3), Mercadante se reuniu por sete horas com a presidente Dilma Rousseff e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo. Apesar de se recusar a comentar o assunto, especula-se que o tema do encontro tenha sido a sucessão estadual.

Durante sua palestra aos prefeitos paulistas, Mercadante ouviu reclamações sobre a dificuldade dos gestores em adquirir equipamentos a preços menores do Ministério da Educação. O ministro revelou que o Tribunal de Contas do Estado tem feito imposições aos governos estaduais e municipais para a compra via pregão eletrônico do MEC. "Isso não faz nenhum sentido", disse o ministro, prometendo ir até o tribunal destravar o processo que inviabiliza a compra de tablets, ônibus escolares e mobiliário para as escolas.

Ao listar os projetos que estão sendo implantados pelo MEC em todo o País, o ministro destacou o programa de educação em presídios, onde os detentos, a cada dois dias de estudo, têm um dia de redução da pena. Em seu discurso, Mercadante afirmou que o projeto, em parceria com os governos estaduais, existe para "o presídio não virar unidades de crime, como está acontecendo". Ao ser questionado se os dez anos de governo do PT não teriam sido suficientes para acabar com este quadro, Mercadante alfinetou o governo do PSDB em São Paulo. "Quem administra o sistema penitenciário é o governo do Estado e alguns estão aí há 20 anos. Mas esta é uma discussão que não resolve, o que resolve é trabalharmos juntos para reverter este quadro que aí está."

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