Mercadante: problema do Metrô é sistêmico e não apenas em ano eleitoral

Para candidato problemas ocorrem por sobrecarga de passageiros e falta de investimentos do governo estadual

Gustavo Porto, da Agência Estado

22 de setembro de 2010 | 15h19

SÃO PAULO - O candidato ao governo de São Paulo Aloizio Mercadante (PT) rechaçou a tentativa dos adversários de ligar aos partidos de oposição a paralisação e os tumultos ocorridos nesta quarta-feira, 21, no metrô paulistano. Para Mercadante, os atrasos e paralisações no metrô são "sistêmicos" e ocorrem por sobrecarga de passageiros e falta de investimentos do governo estadual, comandado pelo PSDB, partido do seu principal adversário na campanha eleitoral, Geraldo Alckmin.

 

 

"Em 2009, foram 30 paralisações, o que mostra que a linha vermelha (onde ocorreram os problemas ontem) é a mais sobrecarregada do planeta e, em 2010, foram 12 paralisações. Não tem nenhuma incidente concentrado em ano eleitoral como sugeriram, mas há um problema sistêmico", disse Mercadante, durante visita em Franca (SP).

 

O petista rechaçou ainda a explicação oficial do Metrô de que uma blusa presa na porta de uma composição teria provocado a paralisação. "Também não me parece razoável a explicação da blusa, pois quando há algum problema na porta a composição não sai", avaliou. Para o candidato do PT, a hipótese mais provável é que houve um problema elétrico que paralisou o trem e depois causou um "efeito dominó", com as pessoas saindo pelas vias laterais dos trilhos.

 

O candidato criticou ainda a atitude da ex-vereadora e coordenadora da campanha de José Serra (PSDB) na internet, Soninha Francine, que, por meio do microblog Twitter, tentou ligar os problemas à oposição. "Foi uma coisa precipitada, irresponsável e, infelizmente, o retrato do desespero de uma candidatura que tem pouco a apresentar ao País. Nós que somos de oposição (ao governo paulista) tivemos cautela, pedimos para aguardar o diagnóstico antes de qualquer informação", afirmou Mercadante.

 

Pela manhã, Mercadante participou em Franca, na região Nordeste de São Paulo, de uma sabatina com jornalistas do Grupo Correia Neves (GCN), que publica o jornal Comércio da Franca e ao qual pertence a Rádio Difusora. Durante a sabatina, o candidato petista fez várias críticas ao PSDB e a Alckmin, que já foi governador do Estado. As ações dos tucanos para a segurança pública e ao sistema penitenciário foram os principais alvos das críticas do petista.

 

Para Mercadante, houve "uma conivência pacífica" do governo paulista depois das rebeliões e ataques atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC), em 2006. No período, Alckmin era governador e foi substituído por Cláudio Lembo após deixar o cargo, à época, para disputar a Presidência da República. "Depois das rebeliões e dos ataques, houve uma acomodação que levou o PCC a tomar conta do sistema. Hoje faltam 11 mil agentes penitenciário e nenhum preso de alta periculosidade foi transferido (pelo governo paulista) a um presídio federal", criticou.

 

Depois da sabatina, Mercadante fez campanha e um pequeno comício na região central de Franca. O candidato chegou até a tomar café, bebida que para a maioria dos políticos é comum em campanha, mas não para o petista. "Eu deixei de tomar café após uma intoxicação, em 1989, durante a campanha do Lula, pois bebia muito para me manter acordado. Desde então só tomei uma vez em uma visita à Bolsa do Café, em Santos, e hoje, porque não resisti ao cheiro", explicou.

 

Descontraído, Mercadante deu até palpites sobre a crise do Santos, seu time, que ontem dispensou o técnico Dorival Júnior, após atritos com o atacante Neymar. "Achei ruim para o time, acho que o Dorival fez um grande trabalho no Santos. Como é um jovem, a punição rigorosa não é o melhor caminho," disse. "Mas tem que ser punido, o técnico prestigiado e o Santos perde muito."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.