Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Mercadante fala sobre aloprados, mas senadores querem explicações na Câmara

Oposição tentará levar também Ideli Salvatti a comentar denúncias de participação em elaboração de dossiê contra Serra; ministro voltou a negar participação e vê disputa política no caso

Andréa Jubé, de O Estado de S. Paulo, e Lilian Venturini, do Estadão.com.br

28 de junho de 2011 | 12h59

BRASÍLIA - O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, defendeu-se das recentes denúncias veiculadas pela revista Veja, que o apontaram como um dos mentores da compra de um dossiê contra o tucano José Serra nas eleições de 2006, no episódio que ficou conhecido como "dossiê dos aloprados". Em audiência realizada na manhã desta terça-feira, 28, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Mercadante voltou a dizer que não há fatos novos sobre o caso. Insatisfeita com as explicações, a liderança do PSDB na Casa anunciou que apresentará requerimentos para levar os petistas mencionados à Câmara.

"A tese da revista Veja não é nova. A tese foi reforçada pela imprensa, mas foi recusada pelo Ministério Público", afirmou. Em entrevista à revista, Expedido Veloso, um dos petistas envolvidos no caso, afirmou que o ministro seria um dos responsáveis por arrecadar parte do R$ 1,7 milhão que seriam usados para a compra do dossiê. O dinheiro foi apreendidos pela Polícia Federal às vésperas da eleição. Ainda segundo Veloso, o dinheiro teria sido arrecadado em parceria com o ex-governador de São Paulo e presidente regional do PMDB, Orestes Quércia, morto em dezembro.

"Por que [esse assunto] volta hoje? Por que o Quércia está morto? Se o Quércia estivesse vivo, essa história fantasiosa não se sustentava de pé meia hora", criticou Mercadante. O petista enfatizou que é fato público e notório que Orestes Quércia sempre foi aliado do PSDB, e não do PT, em São Paulo. O senador lembrou ainda que foi absolvido por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que recomendou o arquivamento do caso devido a falta de provas.

O ministro negou novamente também o envolvimento ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti - na época, líder do PT no Senado - e o petista Jorge Lorenzetti, envolvido na compra do dossiê. Mercadante frisou que não houve reunião com os petistas e que Lorenzetti nunca entrou em seu gabinete no Senado.

Ao todo, 15 senadores se inscreveram para fazer perguntas ao senador e a audiência durou cerca de quatro horas. Alvaro Dias (PSDB-PR) insistiu que as denúncias apresentadas pela revista são novas por vincular a ele a responsabilidade pela produção do dossiê. "Agora há um depoimento [com a revelação desse nome]. E o depoimento não é da oposição. É de um alto militante do PT", disse.

Câmara. Alvaro Dias anunciou durante audiência a apresentação de três requerimentos para convidar a prestar esclarecimentos na Câmara a ministra Ideli Salvatti, a ex-senadora Serys Slhessarenko e Expedito Veloso. "Mas não os apresentarei se Mercadante aceitar ir à Câmara para falar sobre os fatos", chegou a dizer Alvaro Dias.

Irritado com a proposta, o ministro acusou o senador de tentar transformar o caso em disputa política e que não iria à Câmara por ter se proposto a dar explicações à comissão. "Vejo a tentativa de transformar em uma disputa política permanente. Façam as perguntas. Por que querem que eu vá à Câmara? Para manter o assunto vivo", sugeriu.

Tudo o que sabemos sobre:
MercadantealopradosSenadoPSDB

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.