Mercadante é contra CSS e leva a Lula crítica sobre nova CPMF

Para deputado petista, 'este não é o momento' para se elevar a carga tributária e os gastos com saúde

RIBAMAR OLIVEIRA, Agencia Estado

19 de junho de 2008 | 19h13

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) criticou a criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS) durante a reunião desta quinta-feira, 19, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com alguns ministros e economistas, realizada no Palácio do Planalto. Mercadante disse que "este não é o momento" para se elevar a carga tributária e os gastos com saúde, que são despesas correntes.  Veja também:Veja quem votou contra e a favor da CSS na Câmara Calcule: quanto a CSS pesa no seu bolso  Entenda o que é a CSS, a nova CPMFEntenda a Emenda 29  Senado entra em 'recesso branco' e adia nova CPMF  "A criação da CSS não vai ajudar o esforço do governo de controle da inflação, num cenário de forte pressão inflacionária que vêm de fora", afirmou durante a reunião. Segundo ele, o aumento da carga representará elevação dos custos de produção, que já estão pressionados. Os gastos adicionais com a saúde, acrescentou, aumentarão a demanda agregada da economia, o que criará maiores dificuldades no controle da inflação. "Não dá para fazer essas duas coisas agora (elevar a carga e aumentar os gastos)", disse. Depois de ouvir Mercadante, um ministro chegou a dizer que o "problema" tinha sido criado pelo próprio Senado, ao aprovar o projeto de lei complementar que obriga a União a gastar 10% de sua receita bruta com a área de saúde. Neste momento, o senador petista criticou o governo por nunca ter definido uma posição clara sobre o assunto. Mercadante disse que alguns integrantes do governo foram ao Senado ajudar na aprovação do projeto de lei complementar. "Fiquei sozinho na crítica ao projeto", afirmou.  Para o senador petista, a decisão da Câmara dos Deputados foi "mais responsável" que a do Senado, pois os deputados "definiram uma fonte de receita para os novos gastos". Mesmo assim, ele disse que "este não é o momento" para se criar um novo tributo e elevar os gastos. O presidente Lula ouviu calado a discussão e disse apenas, segundo uma fonte, que não terá qualquer dificuldade em vetar a lei que eleva os gastos com a saúde se considerar que isso será melhor para o País.

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