Mercadante e Alckmin duelam na Educação

Petista perguntou se tucano colocaria filhos em escola pública e o acusou de se esquivar na resposta; rival disse que investimentos de sua gestão no setor foram superiores aos do PT na prefeitura

Daniel Brammati/SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 02h40

O debate Estadão/TV Gazeta, que reuniu ontem candidatos ao governo paulista, foi marcado por um duelo entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT) em torno do tema educação.

 

Outros supostos pontos fracos de gestões do PSDB no Estado foram usados pelos demais candidatos como forma de atingir Alckmin, líder nas pesquisas de intenção de voto.

 

Mercadante perguntou a Alckmin se ele colocaria os filhos em escola pública e acusou o tucano de não responder a esse questionamento em outras ocasiões. O tucano afirmou que um de seus filhos estudou em uma Fatec, uma escola pública, e que outros estudaram em Brasília.

 

O petista não se mostrou satisfeito e disse que a falta de uma resposta clara evidenciava o fato de que a situação da educação pública estadual não é boa, diferentemente do que Alckmin tem afirmado.

 

Ao se defender, o candidato do PSDB citou dados estatísticos e o fato de São Paulo ter obtido as melhores notas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), exame federal que mede a qualidade do ensino. No contra-ataque, Alckmin afirmou que o PT, na Prefeitura de São Paulo, reduziu os investimentos em educação - dado contestado por Mercadante.

 

O petista também criticou o que chama de aprovação automática de alunos em escolas públicas, mesmo os que não sabem ler e escrever. Afirmou ainda que metade dos professores do Estado não são concursados e acusou os sucessivos governos tucanos em São Paulo de não terem agido para resolver o problema. Criticou ainda a política de concessão de bônus por desempenho para professores e disse que estabelecer um plano de carreira é melhor forma de promover os educadores por mérito.

 

Logo no início do debate, Alckmin fez um ataque indireto a Mercadante. Afirmou que seu governo, caso seja eleito, não terá "aloprados" - referência ao escândalo que envolveu petistas na compra de um dossiê às vésperas da eleição de 2006.

 

Sem citar o principal adversário, Mercadante responsabilizou os tucanos pelo arquivamento de "cem CPIs" na Assembleia Legislativa.

 

Saúde. Celso Russomanno, do PP, acusou o atual governo de pagar baixos salários aos médicos e prometeu implantar um piso de R$ 12 mil para a categoria.

 

Paulo Skaf, do PSB, confrontou Alckmin no tema segurança. Atribuiu a queda no número de homicídios no Estado à aprovação do Estatuto do Desarmamento e disse que houve aumento de outros crimes, como roubos de cargas.

 

Mais uma vez o tucano recorreu às estatísticas - disse que São Paulo tem um dos menores índices de homicídios por 100 mil habitantes e prometeu aumentar em 6 mil o efetivo de policiais.

 

Skaf também criticou o alto valor dos pedágios nas estradas estaduais. Disse que as maiores empresas concessionárias tiveram, no ano passado, taxas de lucro superiores às alcançadas por bancos.

 

O candidato do PV, Fábio Feldmann, criticou a forma como PT e PSDB conduzem o debate sobre a educação. Ele destacou que é preciso adequar o ensino aos novos desafios do século 21.

 

Paulo Bufalo, do PSOL, criticou todos os adversários e atacou o acordo de refinanciamento da dívida paulista com a União que resultou, entre outros pontos, na federalização e privatização de ativos do Estado, como o Banespa. O debate foi mediado pela jornalista Maria Lydia, da TV Gazeta. Contou ainda com a participação de Silvia Correa e Paulo Markun (da emissora); e Luiz Fernando Rila e Celso Ming, ambos do Estado.

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