Mercadante diz que CPI não pode se limitar ao MST

Um dia depois de o líder do bloco governista no Senado, Tião Viana, garantir que o governo não tentará impedir a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Movimento dos Sem-Terra, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, afirmou, em entrevista ao Estado, que a investigação não pode ter como alvo, apenas, as ações do MST. ?E as milícias contratadas por fazendeiros para impedir as invasões? E a grilagem das terras devolutas da União? Por que não investigar estes temas também??, questiona o senador. A questão sobre a falta de um foco definido dos trabalhos da CPI, adianta Mercadante, será levada ao colégio de líderes da Casa pelo PT. E isso vai ocorrer somente em agosto, explica o senador, uma vez que a convocação extraordinária em julho será ocupada pela apreciação das reformas tributária e da Previdência. ?Não há nenhuma possibilidade de essa CPI funcionar agora?, diz. ?Portanto, temos tempo.? Mercadante criticou duramente a iniciativa de instalação da CPI, por parte do senador tucano Arthur Virgílio. ?Achei muito estranha essa iniciativa do PSDB?, classificou. ?Durante os oito anos em que governaram o País, os tucanos não tiveram um projeto de reforma agrária capaz de conter a violência no campo.? Para o senador, o requerimento de instalação da CPI foi uma tentativa da oposição de explorar a imagem amistosa do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os líderes do MST, quarta-feira, no Palácio do Planalto. ?Usaram o encontro como pretexto. Foi uma atitude despropositada?, disse. ?É importante para a sociedade que o governo dialogue com os movimentos sociais.? Rusgas partidárias à parte, o senador faz questão de citar medidas que vêm sendo tomadas pelo governo para resolver as questões do campo, como a ampliação do crédito agrícola e o incentivo à agricultura familiar. Num recado para a oposição, deixa claro que os problemas do campo não serão resolvidos no âmbito de uma CPI. ?Já tomamos medidas para acelerar o processo de reforma agrária?, observa. ?E essa é a melhor resposta à violência no campo.?

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