Mercadante diz que Brasil está inerte diante da crise argentina

O secretário de Relações Internacionais do PT, deputado Aloizio Mercadante (SP), apresentou nesta quarta-feira, na Comissão de Relações Exteriores, proposta para que seja formulado um convite para o presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, fazer uma exposição sobre a crise econômica argentina no Congresso Nacional.Segundo o deputado, a medida - que será votada na Comissão na semana que vem ? faz parte de um conjunto de ações para demonstrar a solidariedade do governo e dos representantes do povo brasileiro ao país vizinho e principal parceiro comercial no Mercosul, dando-lhe respaldo na condução de uma saída que evite uma eventual dolarização de sua economia.Na semana passada, a Comissão já havia aprovado outras duas propostas de Mercadante ? uma moção de crítica ao FMI e ao Banco Mundial pela maneira como a crise argentina vem sendo tratada e a formação de uma comissão de parlamentares para visitar a Argentina em demonstração de solidariedade.?Não podemos assistir à dolarização da Argentina. A crise está evoluindo em uma velocidade tamanha que precisa haver uma atitude imediata de solidariedade. Não basta ser solidário no discurso. A crise argentina precisa de soluções concretas e imediatas?, conclamou Mercadante, que sugere a criação de uma câmara de compensação comercial bilateral para facilitar a troca de mercadorias entre os dois países.O sistema evitaria a conversão monetária de todas operações, que seriam contabilizadas apenas de forma escritural durante um certo período, com a conversão em moeda apenas do saldo final. O deputado sustenta que o Brasil precisa ajudar a Argentina para evitar o isolamento nas negociações da Alca.Segundo Mercadante, a diplomacia brasileira está assistindo inerte à movimentação do governo dos EUA, que já está negociando separadamente com a América Central, o Peru, o Chile e o Uruguai.?Estamos cada vez mais isolados, fazendo apenas a diplomacia de salão?, criticou, lembrando que o Brasil tem mais da metade do território, da população e do PIB da América do Sul, mas ficará vulnerável nas negociações, se enfrentar sozinho os EUA, que têm uma economia 12 vezes maior do que a brasileira e 76% do PIB do continente.Leia o especial

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