Mercadante diz que adversário de Serra é Alckmin

O pré-candidato do PT a governador de São Paulo, Aloizio Mercadante, disse, nesta sexta-feira (26), em Ribeirão Preto, que ele não é principal adversário do tucano José Serra. "O verdadeiro adversário do Serra é o Alckmin, a sociedade inteira sabe que ele só pensa ´naquilo´ (Presidência da República)", comentou o petista. Ele voltou a reafirmar que se preparou para ser governador e está motivado, o que não sente no rival. Para cutucar o tucano, ainda usou dados de uma pesquisa que aponta que o governo municipal de São Paulo de Serra foi o pior do País. "Ele (Serra) tem responsabilidade direta porque renunciou ao cargo, e a população demonstra profunda insatisfação."Mercadante voltou a frisar que, apesar de seu pequeno crescimento (de 16% para 17%) e da queda de Serra (de 63% para 56%), segundo a última pesquisa do Datafolha, não baseará sua campanha nesses dados. Ele lembrou que, em 2002, pouco aparecia nas pesquisas, lideradas por Romeu Tuma (PFL) e Orestes Quércia (PMDB), mas acabou sendo o senador mais votado da história de São Paulo. O petista ainda enfatizou que existem muitos eleitores que nem conhecem os nomes dos candidatos a governador e que somente a campanha eleitoral, a partir do final de julho, inclusive com a propaganda televisiva, mostrará o verdadeiro quadro da disputa.Como o PT só oficializará o nome de Mercadante na convenção de 10 de junho, o vice ainda não está definido, pois dependerá das coligações.Sobre a possibilidade de Aldo Rebello (PCdoB), atual presidente da Câmara Federal, compor a chapa, considerou improvável. "O Aldo me honraria muito, mas é um líder importante na Câmara e o PCdoB tem a preocupação em manter uma boa bancada, e acho que o Aldo será um dos (deputados) mais votados", disse Mercadante. Para ele, o vice surgirá no "tempo da política". Na outra definição de vice, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tentará a reeleição, Mercadante também espera a definição do PSB, que poderá compor a coligação, mas também quer uma boa bancada federal. Sobre o nome de Ciro Gomes (PSB) para provável vice de Lula, comentou: "Ele teve papel muito importante no nosso governo, foi destacado e muito leal."PMDBA indefinição do PMDB também foi comentada pelo senador petista. Ele disse que o partido caminha para uma candidatura própria em São Paulo, mas que a dificuldade em ter um candidato próprio a presidente torna tudo uma incógnita. "Sem isso (candidato a presidente), é possível ter aliança em São Paulo com o partido (PMDB), mas com um projeto nacional", destacou o pré-candidato do PT.Mercadante ainda comentou, numa entrevista coletiva no Diretório Municipal do PT, ao lado do deputado federal João Paulo Cunha, que a segurança pública de São Paulo preocupa, devido às rebeliões, fugas e mortes registradas nos últimos dias entre policiais e facções criminosas. O petista disse que é preciso investigar todos os casos, inclusive a denúncia de maus-tratos, formulado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subsecção de Ribeirão Preto, que teriam ocorrido na penitenciária local, parcialmente destruída no dia 14, o que está provocando a transferência de centenas de presos para outras unidades do Estado. "Esse cenário não pode continuar e a Justiça precisa mudar a sua cultura", explicou ele, referindo-se à integração das polícias e sistemas de inteligência, além de que os presos teriam de produzir algo durante o período de prisão.Após a entrevista, Mercadante seguiu para entrevistas em duas emissoras de televisão regionais e um almoço com colegas do PT, em Ribeirão Preto. À tarde, o petista segue para uma reunião com empresários no Sindicato da Indústria de Calçados de Franca, além de visitar dois jornais e participar de uma palestra, à noite, na OAB local. Mercadante esteve em Araraquara, na noite de ontem, onde fez uma rápida palestra para estudantes da Unip. Muitos aplaudiram e alguns vaiaram o senador e até usaram narizes vermelhos de palhaço. Mercadante disse que preferia ver esse protesto pacífico, dentro de uma sociedade democrática, do que as arbitrariedades que ocorriam durante o período da ditadura militar.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.