Mercadante deve ser investigado, mas PGR não cogitou prisão

Procuradores não consideram que Mercadante seja um risco para as investigações; intervenção de Delcídio seria mais grave pois senador chegou a, inclusive, traçar rota de fuga de Cerveró da prisão

O Estado de S.Paulo

15 de março de 2016 | 17h16

Brasília - Procuradores envolvidos na investigação de políticos na Lava Jato não cogitaram pedir a prisão preventiva do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, apontado pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS) em delação premiada, homologada nesta segunda-feira, 14. O ministro, no entanto, deve ser investigado por oferecer dinheiro e ajuda para evitar que o petista procurasse o Ministério Público Federal para fechar um acordo de colaboração, segundo fontes com acesso à investigação.

Apesar de o ato configurar tentativa de obstrução das investigações, na visão de procuradores de atuam no caso, Mercadante não oferece atualmente risco à apuração e, portanto, não há fundamento para o pedido de prisão preventiva.

O assessor de Delcídio gravou conversas com Mercadante nas quais o ministro pede para o senador "ter calma e avaliar muito bem a conduta a tomar, diante da complexidade do momento política”. O ministro da Educação teria prometido que a situação de Delcídio se resolveria e que o pagamento de honorários com advogados “poderia ser solucionado”.

Ao entregar a gravação das conversas com Mercadante, a defesa de Delcídio lançou mão do mesmo instrumento que o levou à prisão. Ele foi flagrado negociando o silêncio do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró e, por isso, teve prisão preventiva decretada.

Os dois casos, na visão de procuradores, são distintos. A primeira diferença entre eles é que Delcídio apontou de forma mais concreta a obstrução da investigação - traçando, por exemplo, a rota de fuga de Cerveró da prisão, com descrição inclusive do avião que seria utilizado.

Além disso, a PGR considera que não há risco para as investigações pois só se soube da tentativa de intervenção de Mercadante depois que o acordo de delação já estava fechado. No caso de Delcídio, a situação era outra, pois a delação de Cerveró ainda estava em negociação e poderia ser prejudicada.

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