Mercadante descarta afastamento provisório de Dirceu

O governo mantém total confiança no ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu e não está discutindo a possibilidade de ele afastar-se provisoriamente do cargo para dar explicações sobre o envolvimento do seu ex-assessor Waldomiro Diniz com denúncias de corrupção à frente da Loterj. A afirmação é do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), depois de participar de reunião no Palácio do Planalto. O líder afirmou à Agência Estado que o próprio ministro jamais cogitou a possibilidade. "Isso não existe. Pegaram uma frase solta dele", disse Mercadante. O líder governista não vê paralelo entre a situação de José Dirceu e a do ex-ministro-chefe da Casa Civil Henrique Hargreaves, como sugeriu o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Correia, hoje de manhã no Senado. Hargreaves, citado em uma investigação da CPI do Orçamento, se afastou do cargo, reassumindo depois suas funções de prestar sua defesa no caso. "Não há ligação entre o conteúdo daquela fita e o ministro e, portanto, a situação é muito diferente", afirmou. "Não é assunto da gestão de José Dirceu; ele não tem qualquer ligação com a Loterj". Mercadante defendeu a investigação pela Polícia Federal da atuação do ex-assessor parlamentar da Casa Civil, Waldomiro Diniz, no governo e no Congresso. Segundo ele, investigar o governo é função da Polícia Federal. Ele lembrou que ele mesmo enviou carta a seus assessores, além de ter pedido aos senadores que denunciem qualquer ato irregular que conheçam em relação a Waldomiro Diniz. "Ainda não encontramos nada, mas deve haver alguma coisa", suspeita o senador. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, defendeu ontem ampla investigação do atos de Diniz no governo e afirmou que o delegado da Polícia Federal responsável pelo inquérito teria "autonomia de vôo" para fazê-lo.

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