Mercadante depõe à PF em sigilo e contradiz Bargas

Em depoimento dado à Polícia Federal nesta quinta-feira, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) contradisse as declarações dadas por Oswaldo Bargas, ex-secretário-executivo do Ministério do Trabalho e envolvido na tentativa de compra do dossiê contra tucanos, à CPI dos Sanguessugas e à própria PF. Mercadante depôs em sigilo ao delegado Diógenes Curado em Brasília e disse que teve uma reunião com Bargas e Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil e também envolvido no caso, antes do início da negociação do caso dossiê. Tal encontro foi omitido por Bargas em seu depoimento, que disse apenas que sua participação na negociação do dossiê resumiu-se a acompanhar a entrevista que a família Vedoin deu à revista IstoÉ. O senador petista informou que no início da noite de quatro de setembro, onze dias antes do estouro do escândalo, a reunião com Bargas e Expedito foi acompanhada pela senadora Ideli Salvati (PT-SC). Durante essa conversa, os dois informaram Mercadante que os Vedoin, donos da Planam e acusados de chefiar a ´máfia das ambulâncias´, estavam escondendo informações sobre a existência de irregularidades na administração tucana no Ministério da Saúde. Mencionaram a existência de Abel Pereira como intermediário na liberação de recursos para ambulâncias. Segundo Mercadante, no encontro, Bargas sugeriu que o PT utilizasse a audiência no Conselho de Ética do Senado, marcada para o dia seguinte, para vincular José Serra, Barjas Negri e Abel Pereira ao esquema de superfaturamento de ambulâncias. O empresário Luiz Antônio Vedoin deporia no conselho e a proposta era pressioná-lo durante a reunião para que contasse o que sabia a respeito de irregularidades contra os tucanos. "O encontro foi a pedido de Bargas. Eles estavam juntos e Expedito Veloso, que eu não conhecia, estava mais informado sobre os detalhes", disse Mercadante. Bargas e Expedito também integravam o comitê de campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na CPI, Bargas afirmou que conhecia apenas muito superficialmente o conteúdo do dossiê, omitiu o encontro com Mercadante e afirmou sua única participação no caso foi acompanhar a entrevista concedida pelos Vedoin à Revista IstoÉ. Além de complicar a situação dos "aloprados", Mercadante também comprometeu seu ex-assessor, Hamilton Lacerda, que segundo a PF, seria o "homem da mala" responsável pela entrega do dinheiro que pagaria o dossiê no Hotel Íbis. Ele informou ao delegado que não considerava "factível" a versão apresentada por Lacerda de que levava boletos de contribuição de campanha em uma das sacolas que deixou no Hotel Íbis. O senador também afirmou que as funções de Lacerda eram supervisionar a elaboração de seus programas eleitorais veiculados na TV e coordenar a campanha na região do ABC paulista. Segundo Mercadante, Lacerda não tinha qualquer função financeira em sua campanha e desconhecia que ele fizesse arrecadação de fundos com boletos na campanha presidencial.O senador reafirmou em seu depoimento que jamais se associou "à iniciativa" de pagar pelo dossiê, que não teve qualquer participação no episódio e que não autorizou ninguém (inclusive seu ex-assessor Lacerda) a participar. Mercadante também afirmou que nunca conversou com Lacerda sobre o assunto e o demitiu no dia 20 de setembro por quebra de confiança.Colaborou Marcelo Auler

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