Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Mercadante defende Juca Ferreira e evita rebater declarações de Marta

Em entrevista ao Estado, a senadora disse que ministro é 'inimigo do Lula' e 'candidatíssimo' a presidente em 2018, mas 'vai ter contra si a arrogância e o autoritarismo'

Rafael Moraes Moura e Ricardo Della Coletta, O Estado de S.Paulo - texto atualizado às 13h16

12 de janeiro de 2015 | 12h17

BRASÍLIA - Presentes na cerimônia de transmissão de cargo do ministro da Cultura, Juca Ferreira, nesta segunda-feira, 12, em Brasília, deputados petistas questionaram a senadora Marta Suplicy (PT-SP), que, em entrevista ao 'Estado' publicada neste domingo, 11, criticou a presidente Dilma Rousseff, o PT, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o presidente do PT, Rui Falcão. 

Representantes da cúpula do partido, no entanto, preferiram manter silêncio sobre o assunto - ministros próximos a Dilma, Mercadante e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) não comentaram as declarações da ex-ministra.

"Não vou falar sobre esse assunto", disse Mercadante, ao ser questionado por jornalistas sobre a entrevista da senadora depois da solenidade de transmissão de cargo no Ministério da Cultura. Antes, Rossetto também evitou comentar de declarações de Marta.

Na entrevista ao 'Estado', Marta se disse "estarrecida" com os "desmandos" da atual gestão petista, chamou Mercadante de "inimigo" e afirmou que Falcão traiu o partido. "Ou o PT muda ou acaba", disse a senadora. Para ela, o PT "se acovardou ao recusar um debate sobre quem era melhor para o País, mesmo sabendo das limitações de Dilma".

'Desastre'. Já os deputados petistas Jorge Bittar e Alessandro Molon, ambos do Rio de Janeiro, criticaram a senadora. Bittar classificou a entrevista como "um desastre total". "As críticas que ela (Marta Suplicy) faz têm muito mais a ver com a sucessão paulistana do que com os grandes temas nacionais", disse. "Isso nos cria um problema grave pela dimensão que ela tem."

Dentro do PT, o gesto de Marta foi interpretado como um sinal de que ela pretende deixar a legenda para se candidatar à Prefeitura de São Paulo em 2016. Sobre o assunto, Bittar avaliou que a saída de Marta não é "inevitável", embora os "fatos sejam muito graves". "Espero que se possa contornar", disse o deputado petista.

Sobre sua eventual saída do PT, a senadora petista afirmou ao 'Estado' que a decisão "não será em função de uma possível disputa à Prefeitura (de São Paulo), por isso é tão dura". "É uma decisão duríssima, de quem acreditou tanto, de quem engoliu tanto", falou a ex-ministra.

Para Molon, o diretório nacional do PT deveria tomar uma posição oficial em relação ao "fogo amigo" de Marta. "É importante que seja uma posição do partido, para que não sejam posições individuais", defendeu. No domingo, dirigentes do partido informaram que vão consultar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de definir como se posicionar publicamente diante das críticas feitas pela senadora.

Ministro. Mercadante e outros petistas presentes na cerimônia de transmissão de cargo no Ministério da Cultura elogiaram Juca Ferreira. O titular da Casa Civil afirmou que o ministro possui uma "bela história em defesa da cultura". Miguel Rossetto disse se tratar de "excelente ministro" e "grande companheiro de governo". "Há uma confiança enorme num mandato inovador, aberto, valorizando a cultura brasileira", afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência sobre o titular da Cultura.

O deputado Alessandro Molon avaliou que a recondução de Juca Ferreira ao cargo é "um reconhecimento dos grandes avanços" alcançados quando ele foi ministro pela primeira vez. 

Juca Ferreira, entretanto, também foi alvo de críticas de Marta Suplicy. Ela afirmou que a primeira passagem de Juca pelo Ministério da Cultura foi "muito ruim". "Enviei para a CGU (Controladoria-Geral da União) tudo sobre desmandos e irregularidades da gestão dele", disse a senadora, que ocupou a pasta de setembro de 2012 a novembro de 2014, quando pediu demissão do cargo.

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