Após ser citado em delação premiada na Lava Jato, Mercadante cancela ida aos EUA

Ministro faria parte de comitiva de Dilma em viagem oficial ao país; ele ficará em Brasília para prestar esclarecimentos sobre operação

O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2015 | 12h30

Citado na delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, decidiu neste sábado cancelar a ida aos Estados Unidos, onde acompanharia a presidente Dilma Rousseff em visita oficial ao país.

A previsão inicial era que Mercadante integrasse a comitiva recorde de Dilma, formada por 11 ministros, entre eles o das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Fazenda, Joaquim Levy; da Educação, Renato Janine Ribeiro; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto; do Planejamento, Nelson Barbosa; das Comunicações, Ricardo Berzoini; e da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, entre outros.

Segundo o Broadcast Político apurou, o ministro ficará em Brasília para prestar esclarecimentos sobre os desdobramentos da Operação Lava Jato e cuidar da gestão do governo.

Ao lado dos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Edinho Silva (Secretaria de Comunicação Social), Mercadante participou de reunião emergencial convocada às pressas pela presidente Dilma Rousseff na manhã deste sábado. Na ocasião, Dilma e os ministros tentaram acertar um discurso de resposta do governo às acusações de Pessoa.

Uma das principais preocupações do Planalto é que o agravamento da crise política impulsione a movimentação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff e ofusque a viagem oficial de trabalho que a presidente fará aos Estados Unidos nos próximos dias.

ACUSAÇÃO

Dono da UTC, Ricardo Pessoa apresentou à Procuradoria-Geral da República documento que cita repasse de R$ 250 mil à campanha do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, ao Governo de São Paulo em 2010.

No documento entregue pelo empresário, o pagamento a Mercadante aparece ao lado da informação "eleições de 2010". Naquele ano, o petista concorreu, sem sucesso, ao cargo de governador de São Paulo. O ministro nega que sua campanha tenha recebido recursos não contabilizados.

Na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral, Mercadante declarou doações de empresas da holding UTC Participações, da qual Pessoa é acionista. Ambas foram de R$ 250 mil, mesmo valor descrito no documento entregue à Procuradoria.

OUTRO LADO

Em nota, o ministro Mercadante afirma desconhecer o teor da delação premiada de Pessoa. "A empresa UTC, por ocasião da campanha ao Governo do Estado de São Paulo, em 2010, fez uma única contribuição, devidamente contabilizada e declarada à Justiça Eleitoral, no valor de R$ 250 mil reais, conforme demonstrado em minha prestação de contas aprovada pela Justiça Eleitoral. Essa doação foi feita em 27 de agosto de 2010, com recibo eleitoral nº 13001092079", diz a nota de Mercadante.

"A empresa Constran Construções, que pertence ao mesmo grupo, fez uma contribuição, também devidamente contabilizada e declarada à Justiça Eleitoral, no valor de R$ 250 mil reais, conforme demonstrado em prestação de contas aprovada pela Justiça Eleitoral. Essa doação foi feita em 29 de julho de 2010, com recibo eleitoral nº 13001092017", informou o ministro.

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