Mercadante articulou a abstenção dos petistas

Brasília - O principal articulador da operação para salvar o mandato de Renan Calheiros (PMDB-AL) - desde que ele se licencie do cargo de presidente do Senado - foi o senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Sem nenhum constrangimento, ele admitiu ter sido a favor da abstenção: "Minha abstenção é um gesto de quem gostaria que essa investigação fosse concluída."Parte dos 12 senadores petistas era favorável à cassação, mas a articulação feita às pressas levou parlamentares da sigla a se absterem na votação. "Nós somos a bancada da abstenção", comemorou a senadora Fátima Cleide (PT-RO), no plenário do Senado, ao lado dos petistas Sibá Machado (AC), João Pedro (AM) e a líder Ideli Salvatti (SC). Sempre discreto nas articulações em favor de Renan, Mercadante surpreendeu ontem a oposição na sessão de julgamento. "Esses seis votos pela abstenção são estranhos e foram combinados. Isso foi orientação partidária, do PT", disse Sérgio Guerra (PSDB-PE). "A maioria dos discursos no plenário foi pela cassação de Renan. Aí aparecem essas abstenções do nada. Não estou surpreso e, sim, decepcionado", afirmou Jefferson Peres (PDT-AM).O trabalho de Mercadante foi articulado nos bastidores. Ao fim da sessão, quando suas articulações vieram a público, ele apressou-se em negar qualquer envolvimento maior a favor de Renan.Na sessão, o petista sugeriu a tucanos que prestassem atenção à defesa, além de ponderar que a cassação era pena dura demais. Mercadante chegou a redigir requerimento propondo adiamento da votação. Segundo ele, o pedido contava com as assinaturas dos petistas Delcídio Amaral (MS), Paulo Paim (RS) e Eduardo Suplicy (SP). "Mas fui vencido no encaminhamento sem nem sequer defender publicamente a proposta."

Expedito Filho, Eugênia Lopes e Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2013 | 00h00

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