Mercadante anuncia saída da liderança

Formalização deve ocorrer hoje em discurso na tribuna do Senado

Christiane Samarco e Gustavo Uribe, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2009 | 00h00

Com um texto de apenas 16 palavras postado em sua página no twitter, o senador petista Aloizio Mercadante (SP) anunciou ontem sua renúncia à liderança do PT, menos de sete meses depois de ser escolhido para um mandato de dois anos. Pressionado pelo Planalto e sem comando sobre os demais parlamentares da legenda no Senado, Mercadante, logo cedo, postou sua mensagem. "Eu subo hoje (ontem) à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável", avisou. No entanto, chamado para uma conversa à noite com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele acabou adiando o discurso para hoje.O texto postado no microblog foi o desfecho para o processo de desgaste sofrido pelo líder petista, que atingira o ápice no dia anterior, quando se recusou a ler uma carta do comando nacional do PT, no Conselho de Ética, em favor da absolvição do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O gesto não foi seguido pelos três senadores petistas no conselho - Delcídio Amaral (MS), Ideli Salvatti (SC) e João Pedro (AM) -, que votaram a favor do arquivamento de todas as denúncias contra Sarney.Sem apoio de Lula, que sempre defendeu a tese de que o salvamento político de Sarney é essencial para viabilizar a aliança PT-PMDB em 2010, ele também estava desgastado com os três colegas integrantes do Conselho de Ética e em rota de colisão com a cúpula da legenda, Mercadante anunciou a saída. "Saio da liderança para disputar, junto à militância, a concepção do PT que eu acredito", completou o senador em seu microblog. A tensão entre Mercadante e outros líderes do partido teve início quando ele divulgou à imprensa, no começo de julho, uma nota em que a bancada petista na Casa se posicionava a favor licenciamento de Sarney do comando do Senado. Repreendido na época por Lula, ele se retratou diante da imprensa e disse que a bancada do partido se alinhava ao discurso do Planalto. Duas semanas depois, voltou a mudar de posição e pedir a licença de Sarney, por causa de novas denúncias de que teria intercedido pela contratação do namorado de sua neta no Senado, como revelou reportagem do Estado.Quando ameaçou renunciar durante a reunião que teve com o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e a cúpula petista no Congresso, antes da reunião do conselho, ninguém argumentou o contrário. Hoje, às 9 horas na tribuna do Senado, ele deve enfim se despedir do cargo.

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