Mercadante ameaçou renunciar à liderança

Em jantar com Lula, senador exigiu que bancada unificasse o discurso

, O Estadao de S.Paulo

04 de julho de 2009 | 00h00

No confronto entre o lulismo e o petismo, quem saiu vencedor, mais uma vez, foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bastou invocar o projeto de poder do PT, mostrando que o PMDB é estratégico agora e em 2010, para eleger presidente sua ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e os petistas que insistiam na licença do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ficaram atados.No jantar de quase quatro horas com os 12 senadores do PT, Lula não deixou margem para dúvidas. "O presidente não concorda com licença temporária de Sarney. Considera que, dificilmente, ele voltaria, e que este processo iria gerar instabilidade e uma crise política mais profunda", relatou, ontem, o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP).Lula questionou como seria se ele próprio tivesse de se licenciar do cargo toda vez que houvesse algo a ser apurado no governo. Além de pôr na mesa os riscos de um rompimento com o PMDB de Sarney e do líder Renan Calheiros (AL), a começar pela instalação da CPI da Petrobrás, Lula deixou claro que ele está no comando da condução da crise.No jantar, os mais enfáticos na sustentação da tese da licença temporária foram o líder Mercadante e a senadora Marina Silva (AC). "Expressei isto com muita clareza", relatou Marina, para quem o apoio a Sarney impõe um custo à sociedade e às instituições. Voto vencido, Mercadante ameaçou renunciar ao cargo de líder caso a bancada não adotasse uma posição única em relação a Sarney.Lula argumentou que a oposição queria "ganhar no tapetão e controlar o Senado", onde o primeiro-vice-presidente é o tucano Marconi Perillo (GO). E apelou para a crise financeira para convencer a bancada de que o País precisa de equilíbrio, o que não ocorreria com o PSDB à frente do Congresso. "Lula reafirmou que é questão de Estado a governabilidade e que o governo precisa e quer a aliança com o PMDB", resumiu Mercadante.

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