Mercadante, agora, pede que Renan saia

Ele foi um dos que trabalharam pela absolvição do senador

Ana Paula Scinocca e Rosa Costa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2019 | 00h00

Um dos que mais se empenharam pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no julgamento do processo por quebra de decoro parlamentar na semana passada, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) subiu à tribuna ontem para pedir que ele se licencie do cargo. Na votação em plenário na quarta-feira passada, Mercadante trabalhou em favor do voto pela abstenção - foi um dos seis parlamentares que ajudaram a inviabilizar a condenação de Renan, que acabou absolvido por 40 votos a 35. "Será que a sociedade vai conseguir entender que o mesmo senador que na semana passada votou pela cassação de Renan Calheiros no Conselho de Ética possa, amanhã, votar pelo arquivamento dessa denúncia, mesmo que ela não seja procedente?", indagou o petista ontem, referindo-se ao requerimento que o acusa de interferir a favor da cervejaria Schincariol perante o INSS e a Receita Federal. A denúncia do caso Schincariol, proposta pelo PSOL, refere-se à suspeita de que Renan teria usado seu prestígio político para diminuir as multas impostas à cervejaria pelo INSS e pela Receita Federal. De acordo com a revista Veja, isso teria ocorrido após a empresa ter pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerantes do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão do presidente do Senado, avaliada pelo mercado em R$ 10 milhões. Escolhido para a relatoria do caso pela líder do PT, Ideli Salvatti (PT-SC), o senador João Pedro (PT-AM) já havia deixado claro que iria inocentar Renan.ARQUITETOMercadante está preocupado com o desgaste sofrido pelo partido e por ele próprio com a absolvição do presidente do Senado na semana passada. Ele foi apontado como o grande arquiteto em plenário da virada petista para livrar Renan da cassação. Desde a sessão de quarta-feira passada, o senador tem sido alvo de uma enxurrada de críticas, inclusive de eleitores. Em sua defesa, tem argumentado que ao defender a abstenção quis marcar posição pela continuidade das investigações "até chegar a um relatório conclusivo."Em entrevista ao Estado, no dia seguinte à absolvição de Renan, afirmou ter-lhe recomendado que se licenciasse do cargo. "Acho que ele deveria se licenciar para concluir o processo e para que o Senado possa evoluir com tranqüilidade", argumentou. FRASESAloizio MercadanteSenador (PT-SP)"Será que a sociedade vai conseguir entender que o mesmo senador que na semana passada votou pela cassação de Renan no Conselho de Ética possa, amanhã, votar pelo arquivamento dessa denúncia, mesmo que ela não seja procedente?"

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