Mercadante acusa Serra de uso da máquina

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, disse nesta segunda-feira em São Carlos que espera que Justiça eleitoral tome alguma providência em relação a atitude do adversário José Serra (PSDB), que teria "atuado como prefeito", ontem na capital. Em Barretos, o senador afirmou que o PT entrou com ação contra Serra."Vi o Serra fazendo de conta que é prefeito, inclusive despachando como prefeito, o subprefeito ao lado dele e ele ligando para um secretário", comentou Mercadante. "Isso é uso da máquina, candidato não pode fazer isso, o que ele fez é um crime eleitoral". Ontem, durante visita ao Jardim Cocaia, na periferia da zona sul, Serra ouviu reclamações de moradores, que foram prontamente atendidos por ele e por seus assessores da Prefeitura. Mercadante acrescentou ainda que isso é grave, pois Serra renunciou o cargo de prefeito para disputar o governo estadual. O senador petista voltou a usar a expressão "cortina de fumaça", referindo-se à atitude do tucano que estaria demonstrando algum tipo de compromisso após a renúncia à prefeitura. "Ele não tem compromisso, senão deveria ter ficado no cargo e cumprido as promessas", disse Mercadante. O petista enfatizou que irá buscar durante a campanha alternativas para o Estado, que, segundo ele, precisa de um projeto estruturante de desenvolvimento, além de uma nova política de segurança pública. "Na Segurança Pública temos um quadro dramático, trágico, e não vemos uma atitude de governo em 12 anos da gestão de PSDB e PFL", explicou Mercadante, criticando ainda a educação (sistema de progressão continuada).Mercadante também não acredita, e até ironizou, a anunciada campanha de Serra e Geraldo Alckmin, que concorrerá à Presidência da República. "A sociedade toda viu o quanto eles têm estado próximos, como a disputa foi sem nenhum tipo de tensão, a gente vê que é uma coisa sincera, profunda, e eu fico até emocionado com esse sentimento de amizade que os dois manifestaram nesse processo", comentou Mercadante, acrescentando ainda: "eles estão totalmente à vontade, eu fico cada vez mais surpreso".Para o petista, essa relação entre Serra e Alckmin é um problema da campanha adversária, mas ele entende que ambos ainda querem se dissociar do governo Fernando Henrique Cardoso. "Ele (FHC) está quase que clandestino hoje no debate eleitoral, pois ninguém defende o governo dele", comentou Mercadante.

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