Mercadante acha CPI do MST um ?exagero?

O líder do PT no Senado, senador Tião Viana (AC) disse hoje às lideranças partidárias que requereram a criação da CPI do MST que o governo nada fará para impedir o funcionamento da Comissão Parlamentar de Inquérito e que ele, depois de fazer uma avaliação sobre o assunto, indicará os integrantes da base aliada do governo para a CPI. Viana advertiu, no entanto, que os governistas não vão tolerar que o funcionamento das CPIs do MST e do Banestado provoquem uma paralisia no Congresso Nacional. Ele disse também que os aliados não vão tolerar que a CPI do MST seja usada para ofuscar ou atrapalhar as investigações da CPI do Banestado, que já está em funcionamento. MercadanteQuase simultaneamente à entrevista de Tião Viana, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), dizia que vai propor uma reunião do colégio de líderes para discutir as prioridades do Senado e a iniciativa do líder tucano, Arthur Virgílio (PSDB-AM), de criar uma CPI par a investigar supostas irregularidades no MST. Mercadante disse que considera um "exagero" a instalação de uma CPI com esse fim. "A criminalização de movimentos sociais não é um bom caminho para a democracia", disse o líder, que pretende buscar uma "saída negociada" para a questão. Ele acredita que alcançará esse objetivo antes do reiinício das atividades normais do Congresso, em agosto. "Podem surgir fatos novos na convocação (convocação extraordinária do Congresso) e isso nos dará tempo para fazer um balanço da situação", disse.Mercadante criticou o PSDB e o PFL, principais interessados na CPI, por entender que os dois partidos, que em oito anos não conseguiram equacionar o problema no campo, não vão conseguir mudar a situação agora. "Não é a CPI do boné que vai resolver os problemas agrários do País", disse Mercadante, em referência ao fato de o presidente Lula ter usado o boné do MST, durante audiência a integrantes do movimento. Para o líder governista, a reação provocada pelo encontro de Lula com lideranças do MST foi exagerada "muito além do episódio". "O fato promoveu uma reação conservadora, que estimula a polarização no campo. E isso não é bom nem para a democracia, nem para a agricultura brasileira", disse. Mercadante disse ainda que o governo está tentando equacionar o problema dos assentados e que se a oposição quisesse mesmo discutir seriamente a violência no campo teria que analisar a grilagem de terras, a impunidade no assassinato de lideranças rurais e as milícias armadas dos fazendeiros.

Agencia Estado,

04 de julho de 2003 | 14h00

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