Mensaleiros do DF tentam novo mandato na Câmara Legislativa

Políticos como o deputado Geraldo Naves, que chegou a ser preso, pediram registro ao TRE

Carol Pires, estadão.com.br

06 Julho 2010 | 12h23

BRASÍLIA - O envolvimento no maior escândalo político da história de Brasília, o "mensalão do DEM", não impedirá que diversos deputados distritais, federais e suplentes tentem um mandato nas eleições deste ano. É o caso, por exemplo, do deputado distrital Geraldo Naves (DEM). Naves chegou a ficar preso por cerca de 60 dias por tentativa de suborno de uma das testemunhas do "mensalão do DEM". Ele pediu, na segunda-feira, 5, ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) o registro para tentar a reeleição à Câmara Legislativa.

 

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O deputado foi preso com outras cinco pessoas, dentre elas o ex-governador José Roberto Arruda, acusado de tentar subornar uma testemunha da Operação Caixa de Pandora, o jornalista Edson Sombra, para que ele mudasse o depoimento à Polícia Federal. Naves entregou um bilhete escrito por Arruda a Edson Sombra e acabou arrolado ao caso. A mensagem, que continha, entre outras frases, a expressão "quero ajuda", foi interpretada como tentativa de suborno. Ao Estadão.com.br, o deputado negou mais uma vez a denúncia e disse não temer que o envolvimento no caso atrapalhe o plano de reeleição. "Onde eu vou recebo manifestações de carinho", disse.

 

Mensalão. Outros quatro deputados distritais e dois suplentes citados como beneficiários do esquema de corrupção também tentarão um mandato na Câmara Legislativa. São eles os deputados Benedito Domingos (PP), Aylton Gomes (PR), Rôney Nemer (PMDB) e Benício Tavares (PMDB); e os suplentes Berinaldo Ponte (PP) e Pedro do Ovo (PRP). Todos são citados em conversas interceptadas pela Polícia Federal como possíveis receptores do dinheiro do esquema e negam as acusações.

 

Apesar das acusações, os envolvidos no "mensalão do DEM" não são impedidos de concorrer pela Lei do Ficha Limpa porque ainda não houve condenações sobre o caso. De acordo com a lei, apenas a condenação por decisão colegiada deixa um político inelegível.

 

O "mensalão do DEM" foi investigado pela Operação Caixa de Pandora, do Superior Tribuna de Justiça (STJ). De acordo com o inquérito, empresários locais pagavam propina para o esquema e o dinheiro era distribuído entre secretários de governo, assessores e deputados. O chefe do esquema, segundo as investigações, seria o ex-governador José Roberto Arruda.

 

Fora das eleições. Outros personagens do escândalos, como o ex-governador José Roberto Arruda e o ex-presidente da Câmara Legislativa Leonardo Prudente, no entanto, não poderão concorrer. Arruda foi preso acusado de tentar subornar uma testemunha, foi expulso do DEM e teve o mandato cassado. Sem legenda, não pode disputar o pleito.

 

Prudente também foi expulso do DEM e renunciou para fugir do processo de cassação na Câmara Legislativa. Pela Lei Ficha Limpa, quem renuncia para se livrar do processo por quebra de decoro também é impedido de concorrer. Prudente é o ex-deputado flagrado em vídeo guardando dinheiro de suposta propina nas meias.

 

Também estarão fora das eleições a ex-deputada Eurídes Brito (PMDB), cassada por quebra de decoro, e Júnior Brunelli (PSC), que renunciou ao mandato. Eurides foi filmada em um dos vídeos da Operação Caixa de Pandora guardando maços de dinheiro na bolsa. Brunelli é o ex-deputado que, depois de receber dinheiro, faz uma oração, conhecida como "oração da propina".

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