Mensalão mineiro não é igual ao petista, diz Aécio

Apontado como beneficiário de R$ 110 mil em 98, tucano se pronunciou pela primeira vez; para PSDB, valerioduto de Minas se resumiu a caixa 2

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE, O Estadao de S.Paulo

26 Setembro 2007 | 00h00

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), insistiu ontem em que o mensalão mineiro não tem "paralelo" com o escândalo que veio à tona no primeiro governo Lula. "Na minha avaliação, há uma diferença muito grande entre aquilo que ocorreu no plano federal e os problemas que ocorreram na campanha do então candidato Eduardo Azeredo. Acho que com serenidade e muita transparência Azeredo terá tempo de apresentar seus argumentos e demonstrar que não há paralelo entre uma questão e outra", afirmou. Entenda o mensalão mineiro Relatório da Polícia Federal aponta o esquema em Minas, de 1998, como o embrião do mensalão petista e Azeredo, que era governador na época e hoje é senador, como seu principal beneficiário. Segundo a investigação, pelo menos R$ 5,17 milhões, em valores da época, teriam saído de estatais mineiras para o esquema de arrecadação paralela de recursos da campanha de Azeredo, por meio da agência SMPB, do empresário Marcos Valério - o mesmo do mensalão petista. Os desvios teriam se dado por meio de cotas de patrocínio de eventos e publicidade fictícia.Os tucanos argumentam que o mensalão mineiro se resumiu a caixa 2, enquanto no âmbito federal houve compra de apoio parlamentar. Aécio defendeu Azeredo ontem - "um homem de bem" -, mas salientou que "cada um tem de responder" às denúncias. "O partido tem enorme confiança na trajetória política do governador, do senador Eduardo Azeredo", destacou, pedindo que ele tenha condição "isonômica" de se defender. Desde a divulgação do relatório da PF, Aécio não havia se pronunciado sobre o escândalo. Ele próprio é citado em uma lista como sendo beneficiário de R$ 110 mil na campanha de 1998, quando era candidato a deputado federal. Em nota divulgada na última semana, sua assessoria negou o recebimento desses recursos e frisou que Aécio não é citado "no corpo do relatório da Polícia Federal".A cúpula do PSDB decidiu ontem que só vai se manifestar sobre as denúncias contra Azeredo depois que o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, se pronunciar. "Só falaremos sobre o assunto diante de um fato concreto", resumiu o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), ressaltando que, por enquanto, não há denúncia contra o colega. Foi no gabinete de Guerra que o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), reuniu-se ontem à tarde com Azeredo.Logo na chegada, o senador mineiro se mostrou indignado com as acusações. "Para começar, essa campanha não foi minha, foi do PSDB todo, inclusive de Fernando Henrique à reeleição", disse, cobrando solidariedade.O deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP) argumentou que, na hipótese de as acusações do mensalão de Minas e do mensalão do PT serem verdadeiras, a tese do tucanato é uma só: "Não dá para indiciar o Azeredo sem indiciar o Lula."IRRITAÇÃOO procurador-geral da República mostrou-se ontem incomodado com a publicação das conclusões da PF sobre o mensalão mineiro. A irritação chegou a tal ponto que Souza afirmou que não levará em consideração as conclusões da PF sobre o caso que foram divulgadas nas últimas semanas."Não vou me basear no relatório", afirmou Souza, reclamando que o texto da PF é opinativo. "O relatório tem que descrever os fatos. Quando dá opinião, deixa de ser relatório", argumentou. Além de Azeredo e Aécio, o relatório da PF cita o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, como responsável por movimentar mais de R$ 24 milhões, e outros 159 políticos. COLABORARAM CHRISTIANE SAMARCO e FELIPE RECONDO

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