Mensalão: Marcos Valério e MPF negam delação premiada

'Não tem nenhuma negociação, nenhuma conversa sobre isso', afirmou advogado que representa Valério

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo,

23 de março de 2009 | 18h22

O advogado Marcelo Leonardo, que representa Marcos Valério Fernandes de Souza nos processos criminais, e a Procuradoria da República em Minas Gerais negaram nesta segunda-feira, 23, que o lobista apontado como principal operador do mensalão esteja negociando um acordo de delação premiada que possa levar a novas provas do processo que tramita no Supremo Tribunal de Justiça (STJ). O Ministério Público Federal (MPF) informou por meio de sua assessoria que desconhecia qualquer negociação nesse sentido.

"Não tem nenhuma negociação, nenhuma conversa sobre isso", afirmou Leonardo, observando que é o advogado que, "com exclusividade, faz a defesa de Marcos Valério no âmbito criminal".

A notícia da suposta negociação em torno da delação premiada - um acordo entre acusação e defesa que permite a redução ou isenção da pena em troca de novas informações para ajudar na invesrigação - foi publicada pelo jornal "Folha de S. Paulo" em sua edição de hoje. Segundo o jornal, os entendimentos são mantidos em sigilo.

Fontes do MPF em Minas informaram que assessores do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, chegaram a questionar na semana passada se teria sido feita alguma proposta neste sentido no âmbito estadual pela defesa de Valério. A resposta foi negativa.  

 

Valério voltou a frequentar o noticiário recentemente. Um jornal mineiro informou que ele estava sendo vítima de extorsão do Primeiro Comando da Capital (PCC) depois de sofrer agressões durante o período em que esteve encarcerado na Penitenciária de Tremembé, em São Paulo. Outro periódico noticiou que Valério contou a um ex-compaheiro de prisão que foi espancado e que precisou recorrer ao PCC para sair da cadeia com vida. Conforme a versão, nos 98 dias em que esteve preso, Valério teria passado dez dias num regime especial de reclusão, numa cela que foi aberta quatro vezes por detentos que o agrediram em busca de informações sobre o paradeiro de um DVD, "supostamente contendo revelações capazes de derrubar a República".

 

Valério foi preso em outubro do ano passado, durante a Operação Avalanche, da Polícia Federal - que investigou uma suposta trama para desmoralização de dois fiscais de tributos estaduais de São Paulo que autuaram em R$ 105 milhões uma cervejaria, cujo presidente é amigo do lobista mineiro. Valério é acusado de intermediar uma negociação para corromper policiais federais e favorecer a cervejaria. Ele ficou preso até 14 de janeiro, quando foi beneficiado por um habeas corpus concedido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes.

 

Ao Estado, Leonardo já negou a suposta extorsão do PCC e disse que não poderia nem confirmar nem desmentir as informações sobre as agressões tendo como objetivo o suposto DVD, pois não havia conversado com seu cliente sobre esse assunto. O advogado afirmou que está se dedicando às audiências das testemunhas arroladas pela defesa dos réus no processo do mensalão, que estão sendo colhidas na Justiça Federal em Belo Horizonte.

 

Aparentando cerca de 20 quilos mais magro e debilitado, Valério tem frequentado regularmente uma clínica psiquiátrica na zona sul da capital mineira. Junto com seu advogado, o ex-sócio das agências SMPB e DNA acompanhou no último dia 12 o depoimento do ex-ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia - arrolado como testemunha por sua defesa e a do ex-tesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri.

 

Como faz sempre que abordado por jornalistas, Valério se negou a falar com a imprensa, alegando que não concede entrevistas desde 2005.

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