Mensalão deve ‘contaminar’ eleições presidenciais, diz cientista político

Para Teixeira, da FGV, novo julgamento deve tirar temas importantes da agenda eleitoral

Guilherme Waltenberg, da Agência Estado,

18 de setembro de 2013 | 18h22

SÃO PAULO - O cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marco Antônio Teixeira avaliou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em aceitar a possibilidade dos embargos infringentes e, consequentemente abrir espaço para novo julgamento de 12 dos 25 réus do mensalão, deve provocar um debate "contaminado" nas eleições presidenciais do ano que vem.

 

"Se por uma lado o resultado foi bom para o (ex-ministro) José Dirceu e o (deputado) José Genoino, ambos do PT, se o julgamento se estender até as eleições de outubro de 2013 poderá ser ruim para a candidatura de Dilma, já que o debate deve estar contaminado pelo tema e colocará a candidata do governo na defensiva", avaliou.

 

Teixeira ressaltou, porém, que o mensalão esteve presente nos últimos dois pleitos presidenciais e não causou muito impacto do ponto de vista eleitoral, já que em 2006 Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito e em 2010 Dilma se elegeu. "O problema é que tira outros temas da agenda eleitoral. É ruim para todo o processo. O ideal seria que se resolvesse o quanto antes e o debate ocorresse livre desse tema", disse.

 

Para o professor da FGV, outro ponto que chamou a atenção no processo, desde o início do escândalo, é que não houve um avanço institucional decorrente dessa suposta compra de votos de parlamentares ocorrida no primeiro mandato de Lula. "Do ponto de vista do Legislativo não houve melhoria na relação com o Executivo. Estamos usando pouco como aprendizado. Como tornar as instituições menos nocivas, por exemplo", afirmou.

 
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